Aqui dou voz aos meus amigos.


Vamos analisar tudo isto:
       Vão me perdoar os apologistas dessa teoria absurda de que os índios OCUPAM TODA A EXTENSÃO DESSA RESERVA, pois isto é uma deslavada idiotice.  
       Começa que índios não ocupam extensão de terras, pois o máximo que se pode atribuir como efetiva ocupação é a da aldeia, o só isto, mais nada.  São na maioria nômades, sem fixação efetiva a nenhum lugar!
       O Dr. Dalmo, como jurista, deve saber muito bem o que é ocupação efetiva (leia-se "com intuito de permanência"), e seria absolutamente impossivel que um número ínfimo de índios em relação à extensão dessa "reserva",  pudesse manter uma OCUPAÇÃO DO TAMANHO DE VÁRIOS PAISES DA EUROPA!  
       Isto tudo é uma imensa farsa montada para praticamente desmembrar do território nacional toda essa área de fronteira, sabidamente cobiçada pelos entrangeiros, que encheram de ONGs, missões "religiosas", "linguísticas", etc. como as que conheci em Rondônia!
      E tem mais:  dizer que estes índios são brasileiros, é uma ficção absurda, pois sendo selvagens, e de área de fronteira, o que para eles sequer existe, passam de um lado para outro sem qualquer controle, e é exatamente PARA ESSES ÍNDIOS NÃO ACULTURADOS É QUE É CONSTITUIDA A RESERVA!  Para os que já foram integrados, esses sim, são brasileiros, até mesmo servindo na tropa do CMA, com o general Heleno, e, COMO BRASILEIROS, não precisam de "reserva" coisa nenhuma! 
       Finalmente, ao invés de reforçarmos nossa presença nessas fronteiras, tanto com os agricultores BRASILEIROS, como com as FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS, querem a desocupação total de tudo, e entregar a quem?  Aos índios que vagueiam de um lado para o outro?  Será que somos suficientemente idiotas pra acreditar nessa balela?
        E pior!   Agora temos um voto de um ministro do STF reconhecendo essa barbaridade!...  Inacreditavel, se não fosse no BRASIL!
                            NELSON SANTOS DE OLIVEIRA
                                          Advogado
                                 Conselheiro da OAB-RO



 

 

PSICOPOLÍTICA E “CURA MENTAL”

MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA

9/05/2008

 

Ultimamente muito se tem falado em Antonio Gramsci (1891-1937), um dos principais dirigentes do Partido Comunista italiano que preso pelo regime fascista morreu no cárcere em 1926.

 Como vários teóricos marxistas do século XX, Gramsci não negou a importância da infra-estrutura, que segundo a teoria de Karl Marx é o modo de produção da vida material, mas ressaltou a importância e o papel da superestrutura que compreende as instituições políticas, o direito, a moral, a religião, as artes, a filosofia, a economia, etc.

Para Gramsci a superestrutura possui dois elementos fundamentais: “a sociedade política”, onde se encontra o aparelho de coação e comando, isto é, o Estado ou governo, e a sociedade civil que assenta na persuasão. E se para os revolucionários russos, o essencial era derrubar o aparelho do Estado, para os revolucionários ocidentais o terreno essencial de luta se situa na sociedade civil que sempre aceitou os valores e a ideologia da classe dominante, portanto sua hegemonia.

 Entendeu Gramsci que a hegemonia é assegurada por aqueles a quem chamou de intelectuais orgânicos (clero, intelectuais, universitários, tecnocratas), e os trabalhadores somente se afirmariam se conseguissem fazer prevalecer o seu próprio sistema de valores, sua própria visão de mundo, sua própria ideologia. Seria, então, imperativo que aqueles tomassem a direção cultural e moral da sociedade e passassem a ser uma classe dirigente antes de ser uma classe dominante.

Em suma, Antonio Gramsci elaborou uma “estratégia do consentimento” através dos intelectuais orgânicos que são o elemento organizador da sociedade civil. E isto é algo mais eficaz do que a tomada do poder pela força. Seria uma revolução sem armas rumo ao comunismo. Funcionaria como processo corrosivo trabalhado através da persuasão envolvendo mentes e sentimentos.

Sentimentos podem ser induzidos por intelectuais orgânicos e se conquistam com líderes eloqüentes e muita propaganda, coisas que não são difíceis de fabricar porque os homens não oram apenas pelo pão de cada dia, mas também por sua ilusão diária. Isso porque, a maioria vive em circunstâncias de frustração calada.

Ora, pessoas frustradas são mais crédulas na medida em que necessitam de algo em que acreditar. Gente frustrada precisa também de odiar e o ódio compartilhado com outros é a mais poderosa de todas as emoções unificadoras. Naturalmente é fácil odiar uns aos outros através da luta de classes. Estimular o ódio entre classes, raças ou etnias é, portanto, o caminho mais fácil para a conquista e a manutenção do poder.

Todavia Gramsci não foi tão inovador como se pensa. Lavrenty Pavlovich Beria (1899-1953), ministro do Interior e marechal da União Soviética, executado depois da morte de Stalin, também sabia que nem só de infra-estrutura vive o homem. Sua arma para dominar os incautos, os frustrados, os necessitados de ilusão, na verdade era uma espécie de ciência que ele denominou de Psicopolítica, através da qual se podia obter a “cura mental”, ou algo que podemos chamar de lavagem cerebral.

Para entendermos melhor de Psicopolítica, observemos alguns trechos de um discurso que Beria proferiu para estudantes americanos, na Universidade Lênin:

“Vocês devem trabalhar para que todos os profissionais e professores somente professem a doutrina de “cura” originária no comunismo e nos nossos propósitos”. “Vocês devem trabalhar para que tenhamos o domínio das mentes e dos corpos de todas as pessoas importantes de vossa Nação”. “Vocês devem conseguir tal descrédito pelo estado de insanidade e tal convicção sobre seu pronunciamento que nenhuma autoridade governamental assim estigmatizada possa novamente ter o crédito de seu povo”. “Vocês podem mudar a lealdade das pessoas pela Psicopolítica; podem alterar para sempre a devoção de um soldado, de um governante ou de um líder em seu próprio país; ou vocês podem destruir suas mentes”. “Usem as Cortes, usem os juízes, usem a Constituição do país, usem as sociedades médicas e suas leis para ampliar nosso fim”. Tudo vale na nossa campanha para implementar e controlar a ‘cura mental”; para disseminar nossa doutrina e para nos vermos livres dos nossos inimigos”. “Pela Psicopolítica criem o caos”. “Tomem a nação sem líderes, matando assim os oposicionistas”. “E tragam para a Terra, através do comunismo, a maior paz que o homem jamais conheceu”.

Um paciente trabalho de intelectuais orgânicos foi efetuado no Brasil. Padres, professores, intelectuais, artistas, profissionais liberais se empenharam para elevar ao poder não a classe trabalhadora, mas o Partido dos Trabalhadores. Não temos mais instituições, oposições, lideranças que resistam à “cura mental” que nos é ministrada dia a dia. Confiantes, aguardemos através do petismo a maior paz que o brasileiro jamais conheceu. O problema é que a História sempre se vinga dos que a ignoram.


BOAS NOTÍCIAS

MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA

07/04/2008

 

A propaganda governamental tem se esmerado em difundir boas notícias. É comum em meio aos jornais de TV o apresentador dizer: agora, uma boa notícia do governo Lula. Segue-se algo fabuloso. Pois é, nosso paraíso começou na era PT e o povo, que não conhece história, acredita piamente.

Semana passada a boa notícia chegou pela Veja de 02/04 2008, através de matéria que mostrava o estudo Observador 2008 “feito pelo Instituto de Pesquisas Ipsos sob encomenda da financeira Cetelem, pertencente ao banco francês BNP Paribas”. Tal estudo mostra a redução da população miserável e o ingresso de considerável contingente populacional no mercado de consumo.

A revista admite também, “que outros estudos e pesquisas já haviam detectado esse avanço, que nada mais é senão a recompensa ao ciclo de reformas e ajustes econômicos feitos desde o Plano Real”. Mas a impressão que fica é que somente agora fomos presenteados com tal progresso.

Algumas dúvidas, contudo, devem ser apresentadas antes que se chegue ao estado de euforia provocado pelos dados oferecidos pelo Observador 2008:

A primeira se refere ao critério de renda familiar utilizado pelo estudo, ou seja: as classes D/E, 39% da população, ou 72,9 milhões de pessoas teriam uma renda familiar de 580 reais. Não sei se a pesquisa foi realizada também no nordeste onde a renda familiar geralmente é muito baixa entre os mais pobres.

O estouro ascensional, porém, aparece na classe C, composta por 46% da população, quer dizer, 86,2 milhões de pessoas com renda familiar de 1062 reais.

Certamente a mobilidade social deve ter se dado através das Bolsas-esmolas do governo Lula, do crédito consignado, do crédito parcelado a perder de vista (concedido pelas lojas), do crédito bancário bastante incentivado, dos reajustes acima da inflação para o salário mínimo, sobretudo para o aposentado do setor rural.  Através dessas facilidades uma parcela das classes mais baixas migrou para a média baixa e passou a consumir eletrodomésticos, celulares, computadores, etc.

 As classes A/B da população, 15% da população, 28 milhões de pessoas, para o estudo Observador 2008 teriam uma renda familiar de apenas 2217 reais. Dúvida: não seria essa renda familiar extremamente reduzida considerando-se as classes mais altas? E por que as classes A/B estão reunidas, apresentando uma só renda?

Há tempos se noticiou que os ricos do Brasil (classe A) tinham aumentado. Será que sua renda familiar só alcança em média 2217 reais? Isto seria um caso inédito em todo mundo de ricos-pobres.

Note-se que a renda média familiar das classes A/B, ao se aproximar bastante da renda familiar da classe C é uma boa notícia para o presidente da República, que teria  transformado o Brasil numa sociedade quase igualitária, algo que muito ajuda a incrementar a idéia do terceiro mandato que segue a todo vapor. 

Outra dúvida que pode surgir: se a ascensão das classes mais baixas se deveu também como é dito à oferta de empregos, por que aumentou a imigração de brasileiros em busca de vida melhor em outros países? Em contrapartida, nunca tantos compatriotas foram barrados em fronteiras ou deportados, e se eles estão de volta vai-se precisar de mais empregos.

 Em 2006 o Reino Unido mandou de volta 11,3 mil brasileiros e a Espanha impediu a entrada de cerca de 7,7 mil brasileiros. Em 2007 os espanhóis fizeram dar meia volta 9,7 mil brasileiros. Quanto aos Estados Unidos, devolveu em 2006 apenas 2.957 brasileiros, talvez porque está havendo maior controle das autoridades mexicanas, o que dificulta a entrada em território norte-americano pela fronteira do México. (dados da Folha de S. Paulo de 25/03/2008).

 Será também prudente perguntar, até quando o governo sustentará as classes mais baixas tornando-as consumidoras, mas improdutivas. E até quando créditos de todo o tipo serão honrados, para que não corramos o risco de repetir o erro dos Estados Unidos referente aos empréstimos de alto risco para a habitação, o que originou a crise que começa a afetar todo o mundo. Finalmente, é lícito questionar se escaparemos ilesos da crise mundial, como afirma o presidente Lula entre brincadeirinhas com o presidente Bush.

Afinal, por mais que o governo negue a inflação já começa a sair de controle e outros sinais não muito auspiciosos jazem sob a capa de euforia das boas notícias. Por isso o PT tem pressa, fala em reforma política (leia-se 3º mandato), plebiscito (governo de massas, modelo Hugo Chávez).

Já a incômoda novela do dossiê dos gastos com cartões corporativos vai ganhando múltiplas, nervosas e pouco convincentes versões da ministra Dilma Rousseff. Ela quer porque quer achar culpados pelo que fez e o senador Álvaro Dias (PSDB) chegou a ser responsabilizado pela chantagem.

Diante da pantomima da ministra só me resta contar que sei, de fonte limpa, quem fez o dossiê para incriminar FHC e chantagear o PSDB. Foi o Etê de Varginha. Não é uma boa notícia?

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

mlucia@sercomtel.com.br

 








Jonh Hemingway
 
(recebido por e-mail de
  Márcio Dayell Batitucci)

Publicada em: 19/03/2008

 

FIM DA LINHA

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Montréal (Canadá) - No dia de hoje, há exatos cinco anos, o Presidente Bush anunciava à nação que a invasão do Iraque tinha começado e que 1000 quilos de bombas tinham matado Saddam Hussein. Hussein, claro, sobreviveu à invasão e só foi capturado em 13 de dezembro de 2003, sete meses depois que Bush declarou seu famoso “Missão Cumprida”, no discurso a bordo do USS Lincoln na costa de San Diego. Para aqueles que não se lembram, isso aconteceu quando ele desembarcou de um jato da marinha no porta-aviões e saiu do avião com o macacão especial de piloto militar.

Esse foi o primeiro de uma série de propaganda, que não acaba nunca, que a administração usou para enganar os americanos e manter a popularidade. Em 2003, os neocons estavam altamente radiantes e o que se pregava na época (como ainda é entre os homens de Bush) era a invasão do Irã, uma vez que agora a democracia estava assegurada no Iraque.

A invasão foi uma “moleza” (como prometido) e logo o petróleo iraquiano pagaria todas as despesas e os chineses e europeus (leia-se franceses e alemães) estariam cortados da festa do petróleo. A paz americana estava assegurada por, pelo menos, mais um século e ninguém seria capaz de se atravessar em nosso caminho. Exceto, claro, os próprios iraquianos.

Com tantos discursos sobre levar a democracia e a liberdade ao Oriente Médio, poucos se incomodaram em pensar que a população local poderia não gostar de ser dopminada por uma potência estrangeira. Mesmo agora, quando uma pesquisa recente mostrou que mais de 70 por cento dos iraquianos querem que os americanos saiam do país, a mídia nos Estados Unidos preferiu omitir esse trecho da informação. A elite dominante na América não quer ser incomodada com a realidade da nossa posição no Iraque, mas a verdade e os desejos dos iraquianos não serão negados para sempre. Historicamente falando, ocupações não duram muito tempo. Os ingleses dominaram a India por quase cem anos, mas tiveram que sair. Os russos dominaram o leste europeu por mais de 50 anos, mas eles também foram expulsos. Na verdade, todo invasor é derrotado e os Estados Unidos não serão uma exceção a essa regra.

A America já está vendo seu poder real declinar, a ponto de num futuro próximo nos tornarmos incapazes de trazer de volta os nossos soldados do desastre iraquiano. Não teremos dinheiro para fazer isso e, se tiverem sorte suficiente, os soldados americanos acharão o caminho de volta aos EUA em vôos comerciais pagos pelo próprio bolso. Wall Street está à beira do desastre que alguns já estão comparando à queda do mercado de ações de 1929. A questão para o assustado FED, na verdade, não é de liquidez e de baixar taxar de juros, mas de solvência. Nós não temos dinheiro e estamos vivendo e lutando com dinheiro emprestado. Quanto tempo levará até que chineses, japoneses, sauditas e o resto do mundo se recusem a comprar os papéis do tesouro americano que mantêm a economia e a máquina de guerra funcionando?

Nós acabaremos nosso reinado como o Imperio Britânico no começo da Segunda Guerra Mundial: quebrado e dependente da generosidade de outros. E vendo que nada é de graça nesse mundo duríssimo, a América será forçada a aceitar uma diminuição no seu papel. O dólar americano não mais será mais usado como moeda de referência do planeta e a perderemos a habilidade de apoiar nossos débitos nas costas dos outros. Não teremos mais produtos baratos da China e não teremos mais Abu Ghraibs, Guantanamos ou Fallujahs. Os horrores do plano dos neoscons de dominação do mundo estão felizmente perto do fim.







Para variar de política.
 
 LIBERTAS QUAE SERA TAMEN

MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA

 

 Sou de Minas Gerais. Belo Horizonte foi meu berço. Cirandas montanhosas fecharam círculos ferrosos sobre minha infância e busco às vezes na memória antigas canções de ninar que embalaram meu primeiro existir. Na juventude acostumei-me a galgar as montanhas dos sonhos e desde cedo trilhei o ideal da liberdade. Minha estrada vem de longe no rastro dos inconfidentes. Por isso sei conspirar entre nuvens rarefeitas ou á sombra de roseirais. Também sou capaz de subir e descer as ladeiras das recordações sem o menor cansaço. E, assim, lá nos confins das reminiscências, percebo um trilho serpenteando a perder de vista. Maria Fumaça solta um apito gemido e o som percorre fundo a alma fundindo-se com o cantar do galo que risca o alvorecer. Depois, num de repente, emerge o casarão de meu avô, tão imponente quanto seus bigodes brancos.  Percorro salões antigos enfeitados de cortinas de crochê que balançam suavemente e acariciam meu rosto. Brisa nas janelas debruçadas para o mundo estreito da rua. Lá longe a Praça da Liberdade. Correrias infantis ao redor do coreto que desafia o tempo. E pores-do-sol. Muitos. Efêmeras pinceladas de Deus nos belos horizontes de minha terra. Sem mar, pelo menos céu e cor ficaram comigo. Manhãs de abril resplandecendo a poder de anil e sol. Tardes de maio com Maria coroada. Noites juninas de fogueiras e fogos enfeitando a alegria de viver hoje tão rara.  Frios azulíssimos. Intensos. Flamejantes paixões juvenis bordadas de puro romantismo. Bailes ao som de Moonlight Serenade. Valsa da meia-noite. Além da varanda flores do campo em alaranjada ternura cobrindo terrenos baldios e calçadas numa rebeldia desgrenhada de caules e folhas. Saudade cobrindo de minério de ferro minha vida. Onde Minas? Onde os ideais de liberdade?

Agora, lonjuras. Londrina. Verde esmeraldino. Fog inglês em noites raras da Filha de Londres que se cobre com véu espesso e fica noivando no escuro. Curitiba é leitê quentê com chocolatê no clima civilizado de frios aconchegantes. Em Guarapuava a estátua de um anjo desceu da torre da catedral e se escondeu debaixo do campanário. Três Paranás: Norte, Sul, Centro-Oeste. Mineiros, paulistas, gaúchos, poloneses, italianos árabes, japoneses... Um mundaréu de cidades e etnias. Raízes de Minas, impossíveis de arrancar. Fincadas no coração. Corpo, alma, filhos plantados em terras roxas do Paraná. Trabalho. Muito trabalho. Sonhos perdidos. Sonhos construídos. Sonhos sempre a reconstruir.

No fundo de tudo, Pátria. Brasil tão pobre e tão rico. País do futuro vivendo no passado. No presente a ronda de perigos sem conta enquanto o povo aguarda a salvação. O povo sempre espera ser salvo. Mas não há salvadores. Quem sabe, apenas inconfidentes. Guardiões da liberdade. Sentinelas do porvir.

Mas, e Minas? Minas não há mais? Foi o que disse Drummond. Pode ser que sim, pode ser que não. Quanto a mim, ainda trago ouro em pó nas veias e sempre repito com essa teimosia que me faz seguir o estandarte da liberdade: libertas quae sera tamen – liberdade ainda que tardia.

E-mail: mlucia@sercomtel.com.br  



 

MINAS GERAIS

MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA

 

 

Cismando pelos cantos, não sei porque, fiquei revendo Minas de memória. Inevitavelmente, compassadamente, me veio assim como num assombro de saudade, muito inteira e no centro das montanhas que brincam de roda, minha Belo Horizonte. Consolo de quem não vai lá por anos a fio a recordação ora foi perfil de pedra sabão ora desenhou ladeiras e minha vida subiu e desceu pelo passado sem o mínimo cansaço.

Perguntei-me, então, se minha mineiridade não havia se esvaído nas idas e vindas de minha existência, exilada que estou nestas lonjuras das Gerais à sombra das araucárias. É que tem me faltado paciência, ando falando demais e tenho confabulado e conspirado pouco. Também já não sei se meu olhar de esguelha anda correto. Além do mais, me esqueci como se dá rasteira no vento. Para piorar as coisas, pisei no escuro e andei no molhado, coisa que mineiro não faz. E, ai meu Deus, estiquei conversa com estranho, acreditei no fogo onde só havia fumaça e o mais grave, arrisquei sem ter certeza. Essas imprudências podem ser fatais e Minas, que sempre espia de dentro dos mineiros condena os filhos que se afastam de suas veredas de sabedoria. Como escreveu Paulinho Assunção:

 

Um fantasma, uma fileira de montanhas.

Um profeta, uma fileira de montanhas.

Uma conspiração, uma fileira de montanhas.

O olhe de Minas vê pelas frestas.

 

O olho de Minas me olhou pelas frestas e eu soube que não adiantava fugir mesmo estando meio destreinada, meio distraída dos requintes de sagacidade que me foram ministrados com o rigor de sacramentos naqueles solos montanhosos.

Nesta hora, Carlos Drummond de Andrade me acudiu e consolou. Nos seus versos estava estampada a impossibilidade do recuo de ser mineiro:

 

Minas não é palavra montanhosa.

É palavra abissal. Minas é dentro e fundo.

 

Aliviada, buscando refazer os caminhos dos tropeiros, dos mineradores, dos inconfidentes, arrisquei-me a subir na Maria Fumaça que não existe mais, mas que me chamou de longe com seu apito fantasmagórico. Quando começou a viagem imaginada, Vanessa Neto poetisou por mim:

 

Vejo pela janela do trem, que cheguei a Minas.

Olhando longe, procurei situá-la com seu perfil de pedra fria.

Sinto que volto docemente a ser menina: São os olhos de Minas que

me vigiam.

 

Vi, então, com a clareza do absurdo e pelas janelas do tempo, o desfile histórico da opulência do ouro em longínquos séculos e a miséria atual de pequeninas cidades perdidas entre névoas e pobreza. Foi quando de novo Drummond me sussurrou:

 

De nossa mente lavamos o ouro, como de nossa alma um dia

os erros se lavarão na pia da penitência.

 

Será que lavei mesmo o ouro de minha alma? Ou serei como o poeta Jota D’Angelo, que escreveu:

 

Quero um quinto desse ouro

escondido no cascalho.

Quero um quinto do seu braço,

quero um quinto do seu corpo.

Quero um quinto do esforço

que se faz e que não faço.

 

Fazer, faço, mas não o suficiente, apesar de querer.

Mas já é hora de apear da Maria Fumaça, pois refresquei minha memória, meus sentimentos, meus mares feitos de montanhas, meu ouro particular. Agora estou pronta para Guimarães Rosa:

 

Minas Gerais... Minas principia de dentro para fora e do céu para o chão.

 

Maria Lucia Victor Barbosa é mineira de Belo Horizonte. 





REMINISCÊNCIAS PASCOAIS

MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA


Nessa Páscoa lembranças fugidias me perpassam pela mente como brisas trazidas do passado. Ressurgem em cores esmaecidas a grande mesa posta para o almoço familiar, a tolha branca impecavelmente engomada, o círio pascal ao centro, os pequenos ovos de chocolate disposto em delicados arranjos perto de cada prato. Tudo aquilo formava um espetáculo ao mesmo tempo alegre e grandioso para adultos e crianças que comemoravam o simbolismo da vitória da vida sobre a morte contido na ressurreição de Cristo.

Não é possível relembrar exatamente o que diziam os convidados, mas o burburinho festivo, o ressoar dos risos, as lembranças que se perdem em tons pastéis como num quadro antigo, sem dúvida foram responsáveis pela construção de um dos redutos mais importantes de minha infância.

Agora surgem na memória, como eco das tradições mineiras em que fui confeccionada a época do colégio Sion de Campanha passada no internato. Naquele interlúdio de minha vida tudo estava em seus lugares disciplinadamente. O futuro era sonhado no recreio enquanto se falava sobre o que cada uma de nós queria ser mais tarde: médica, advogada, bailarina, mãe de família com uma penca de filhos. Ninguém abria mão de se casar com um príncipe encantado e havia a crença generalizada de que podíamos controlar nosso destino.

Na Páscoa, quando a maioria das alunas passava o feriado em casa, eu que era de Belo Horizonte ficava quase só entre as imensidões daqueles corredores e salas vazias. Nem por isso era menos feliz do que as colegas que haviam partido. Ficava com minha grande caixa de ovos de chocolate que sempre chegava pontualmente, com as leituras piedosas que as freiras me indicavam e, especialmente, com minhas reflexões. Foi naqueles confins mineiros que uma semente de compreensão acabou por germinar num pensamento que me acompanhou pela vida afora: sou uma passageira da eternidade em busca de Luz.

Essas enevoadas recordações que emergem de meu remoto ontem misturam-se também às cores dos doces típicos da quaresma: doce de abóbora, doce de batata roxa, doce de cidra. Ecoam ao longe cânticos de procissões  e retorna o espanto infantil diante da imagem de Jesus crucificado. Ao mesmo tempo, como era deliciosa a alegria da descoberta dos ovos de páscoa espalhados pelo jardim.

Comparando aqueles tempos com os de hoje posso concluir que sob os pores-do-sol de minha Belo Horizonte os contornos do viver eram mais bem definidos em tradições que hoje se perdem em feriados eminentemente comerciais. Mesmo assim, Pesach ou passagem (para os judeus) ressurreição ou Páscoa (para os cristãos), são comemorações que sempre deixarão subjacentes no coração do humano o desejo de superação do finito, a vontade de renascer de algum modo, a esperança de renovação. Feliz Páscoa para todos.

Maria Lucia Victor é escritora.

E-mail: mlucia@sercomtel.com.br




“BOLSA MARMITA”

MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA

14/03/2008

 

A festança foi em Dianópolis, Tocantins. O benfeitor dos pobres e parceiro dos ricos, presidente Luiz Inácio, entregou títulos de propriedade a 58 famílias de pequenos agricultores incluídos num projeto de irrigação rural que totalizou 2,2 hectares. Para compensar a bondade feita aos pequenos, 2,3 hectares foram repassados a cinco empresários.

 Os presentes ao comício acharam natural e justa a divisão e o presidente foi muito aplaudido pela claque composta por 28 prefeitos, pelo governador Marcelo Miranda e demais autoridades. Satisfeitíssimas ficaram as 5.000 pessoas que foram levadas para assistir ao espetáculo da política. Elas ganharam refrigerantes e quentinhas com arroz, feijão e alguma outra comida de pobre.

Tal ato de coronelismo explícito em pleno século XXI ensejou a frase do senador Álvaro Dias (PSDB-PR): “faltam sete meses para a eleição e o governo já começou a distribuir quentinha eleitoral. Até outubro vão criar a ‘Bolsa Marmita”.

O governo na verdade já está incrementando sua impressionante máquina eleitoreira voltada especialmente para a pobreza. Se 45 milhões de pessoas já contam com Bolsa-Esmola, esse incentivo ao dolce far niente, agora vão também ser contemplados com R$ 30,00 mensais jovens de 16 e 17 anos, portanto, eleitores.

O Programa Bolsa-Família paga entre R$ 18,00 a R$ 112,00 de acordo com a renda e o número de filhos, mas, segundo tem sido noticiado, muitos que não precisam do auxílio o recebem do pai Estado configurado no benemérito pai Lula. É o Bolsa-Fraude funcionando como o “programa social” mais difundido no País.

 Tudo, porém, vai melhorar ainda mais em nosso paraíso tropical: Decreto do governo garante que as revisões da renda, que têm por limite R$ 120,00 per capita, só ocorrerão a partir de 2010, e daí com intervalos de dois anos. Por isso, mesmo a família que ultrapassar o limite de renda continuará a ganhar o cobiçado numerário.

 Tem mais, pois o ano é de eleições: Os agraciados com o Bolsa Família poderão abrir contas bancárias sem tarifa nem comprovação de renda e os titulares terão acesso a crédito de até R$ 600,00. Ainda segundo o governo, em abril serão treinadas 200 mil pessoas para trabalhar em prometidas obras do PAC. Haja marmita para distribuir a tanta gente.

Entusiasmado com os números da economia, LILS está como quer e gosta: em plena campanha. No seu primeiro mandado ele prometeu que seus ministros percorreriam o país de ônibus para sentir o cheiro da poeira e conhecer os problemas do Brasil. Como ministros viajam de avião, preferencialmente da FAB, não sentem cheiro de poeira. Parece também um tanto duvidoso que conheçam profundamente os problemas do País. Contudo, muitos deles acompanham o chefe em campanha e alguns vão sendo destacados como balões de ensaio para uma possível candidatura à presidência da República em 2010.

É o caso de Dilma Rousseff, chamada de “mãe do PAC” por Lula que, naturalmente, é o pai, e Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social que comemorou com pompas e honras os quatro anos de sua pasta. Durante a cerimônia festiva Ananias deu o tom de atraso da esquerda: clamou contra a privatização da Vale do Rio Doce, que na verdade se tornou um sucesso, e pôs em cheque o direito de propriedade.

No mais, o que se vê é o presidente da República usando palanques em todo Brasil para divulgar sua montagem eleitoral. Ele imprime nos discursos improvisados a velha e retumbante retórica sindicalista, esbraveja, cobra, vocifera, parecendo estar tomado por transe colérico. Para ter mais sucesso do que obtém seu companheiro Hugo Chávez em suas aparições pela América Latina, só falta a Luiz Inácio dançar o xaxado.

LILS tem retomado sua posição predileta de vítima. Queixa-se dizendo que não querem deixá-lo trabalhar, apela para sua longínqua origem pobre e comove o público ao dizer que sua mãe nasceu analfabeta, ao que José Simão, da Folha de S. Paulo, redargüiu que a sua nasceu analfabeta, desdentada e virgem.

É de se perguntar se tais arroubos populistas, esse entusiasmo de perfeito idiólatra, a crença nas próprias petas que matreiramente inventa não são sinais mais que evidentes de que ele só pensa naquilo: o terceiro mandado. Afinal, sabe que será muito fácil mudar a Constituição, pois conta com os subservientes parlamentares interessados apenas em privilégios e mensalões, ou seja, a “base aliada”.

Em meio a foguetórios e vivas que comemoram um crescimento de 5,4% do PIB em 2007, a crise na economia norte-americana lança sua sombra sobre o mundo e nosso Banco central já fala em aumentar juros para enfrentar a possibilidade de uma inflação mais alta e os gastos excessivos do governo.

Mas quem se importa? Os pobres têm marmita garantida, os ricos, altíssimos lucros e a classe média serve para pagar o imposto de renda mais alto da América do Sul, conforme levantamento feito pela consultoria Ernst & Young e, assim, sustentar Programas como o Bolsa-Fraude, o Bolsa-Esmola e o Bolsa-Marmita.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

mlucia@sercomtel.com.br




UM SILÊNCIO INCÔMODO E PERSISTENTE

GILBERTO BARBOSA DE FIGUEIREDO (*)

 Em 2007, escrevi um texto que chamei de “UM SILÊNCIO MUITO SUSPEITO”. Nele, mostrei que ao lado da esperança advinda das sucessivas declarações de apoio aos princípios democráticos, proferidos pelo Presidente da República, ficava sempre uma dúvida pertinaz, produzida pela insistência em não tomar posição em assuntos relevantes para quem acredita mesmo em democracia. Referia-me à ausência de alguma manifestação de repulsa a regimes sabidamente ditatoriais, como o de Fidel Castro, ou a deslizes praticados contra a liberdade, a exemplo dos pro

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Maria Aparecida Fraga Ferreira
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