Apenas com isto  já podemos ter uma idéia do interesse internacional pelas terras brasileiras e  uma questão se impõe: "Milhares de milhares" de pessoas estão morrendo vitimados pela fome no continente africano. O Brasil é apenas um país e nossos índios, em torno de 750 mil, estão bem gordinhos e passeando pela Europa. Não é estranho, para dizer o mínimo, que estas organizações se preocupem tanto com eles ao ponto de cada ONG cuidar de 7.5 índio tendo tantos povos mais necessitados?




O final é ótimo!


Eu chamaria isto de ação e reação. O autor do texto não leva em conta o fato de que as terras foram adquiridas, isto é compradas legalmente, como fica o proprietário que investiu o que tinha na aquisição. Mas alguém no final deu-lhe a merecida (e ótima) resposta.

 

Parlamentares e representantes do governo do Mato Grosso do Sul já se organizam de forma contrária ao reconhecimento dos direitos Constitucionais dos Povos Indígenas

Cristiano Navarro de Dourados (MS)



Depois de uma espera angustiante de mais de cinco anos, o Estado Brasileiro ouviu as lideranças Guarani Kaiowá e firmou um acordo para reiniciar os estudos antropológicos para demarcação física dos seus territórios.


Por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 12 de novembro do ano passado, entre o Ministério da Justiça, Ministério Público Federal e Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e 23 lideranças indígenas, ficou acordado para primeira semana de maio, o início dos trabalhos de seis Grupos Técnicos que irão identificar e limitar 36 terras indígenas do povo Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, por meio de estudos antropológicos. O prazo final para entrega dos trabalhos está previsto para abril de 2010.


Este TAC atende parte de uma das maiores demandas indígena por terra no Brasil -- ao todo são mais de 100 terras tradicionais Guarani Kaiowá por demarcar no Mato Grosso do Sul. Devido ao confinamento em que se encontra, em média menos de um hectare por pessoa, a população de 40 mil Guarani Kaiowá vive os dramas dos mais altos índices de assassinatos, suicídios e de fome entre os povos indígenas no Brasil.

No entanto, apesar de toda a urgência em reconhecer as terras Guarani Kaiowá, parlamentares e representantes do governo do Estado do Mato Grosso do Sul já se organizam de forma contrária ao reconhecimento dos direitos Constitucionais dos Povos Indígenas.

Em um manifesto divulgado dia oito de abril, 15 representantes da Assembléia Legislativa do estado ignoraram a Constituição Federal e declararam sua posição contraria ao reconhecimento a terra. No entendimento dos parlamentares os Guarani Kaiowá não têm direito de retornar às terras de onde foram expulsos pelos fazendeiros. “A demarcação de terras particulares em lugar de terras indígenas constitui ofensa ao direito de propriedade, ao devido processo legal ao controle do poder jurisdicional, enfim, ofensa à segurança jurídica e ao Estado democrático de direito”, esbravejam os deputados no manifesto.


Em pronunciamento na assembléia legislativa o deputado estadual, Zé Teixeira (DEM), foi além, contestando a identidade do povo Guarani Kaiowá. 'Qual é o hábito e o costume que o índio tem numa propriedade que ele não vive há mais de 40 anos', afirmou o deputado, que complementou, 'como vendeu terra de índio, se (o índio) nunca foi dono de nada?'.

Porém, ao contrário do que argumenta Zé Teixeira, se sabe que as terras têm comprovações históricas recentes e antropológicas incontestáveis. Em algumas destas terras, inclusive, inúmeras famílias permanecem vivendo aldeados à beira das estradas e nos fundos das fazendas em restos de mata.

Em apoio à iniciativa dos parlamentares, na última segunda-feira, o governador em exercício, Jerson Domingos, declarou estar mobilizando os prefeitos dos municípios das regiões de Dourados e Aquidauana (no oeste do estado) para entrarem na justiça com pedidos de liminar com objetivo de inviabilizar o começo dos trabalhos dos Grupos Técnicos. Domingos tem afirmado que o cumprimento do TAC para demarcação das terras Guarani Kaiowá pode acarretar em conflitos entre a polícia, fazendeiro e índios. Seria “uma carnificina”, aterroriza o vice-governador.


Manifestações mais explícitas de preconceito

Na região de Dourados as manifestações públicas de preconceito têm endereço político certo: a defesa dos interesses dos latifundiários. Com a iminência da vinda dos Grupos Técnicos para demarcação das terras indígenas, um dos alvos mais mirados pelos antiindígenas atualmente tem sido a administração da FUNAI.

Nas últimas semanas a administradora da FUNAI, Margarida Fátima Nicolleti, tem sido duramente criticada por políticos ligados aos fazendeiros e pelos meios de comunicação.

Margarida impediu novas construções de templos evangélicos em terras indígenas sem o consentimento das comunidades, o arrendamento das terras para produção de soja e as adoções de crianças indígenas sem o devido acompanhamento. Apesar de apenas estar cumprindo com suas funções, as críticas tem sido constante. “Com todas as críticas, sabemos que o alvo da campanha contra a FUNAI não sou eu ou seus funcionários, mas sim os estudos de demarcação que já estão em curso”, esclarece Margarida.


No último dia 26 de março, administradora da FUNAI recebeu em seu escritório uma recomendação aprovado em sessão ordinária pela Câmara Municipal de Iguatemi -- Município que tem pelo menos 30 % de sua população indígena – pedindo para que a FUNAI tomasse providências urgentes contra os indígenas que fazem moradias na cidade e perambulam “embriagados se mantendo da coleta e sobra de lixos”.


O documento com o pedido de providências da Câmara Municipal de Iguatemi, que foi encaminhado também a senadores, deputados federais e estaduais, baseia-se em preocupações econômicas para pedir as providências urgentes do órgão indigenista. “Atualmente com a reabertura do frigorífico, Iguatemi estará progredindo em todos os sentidos, e, é uma vergonha para nossa cidade deixar tal situação exposta aos olhos de futuros investidores e empresários”, afirmam os vereadores. (Cimi/MS)

A reação vem abaixo:

Acredito que quem é racista é quem não vê o direito a propriedade. Pessoas que adquiriram terras no MS a cerca de 20 anos, não tinham idéia de que era terra indígena, tendo em vista que essas áreas tinham registro público em cartório de registro de imóveis. Qual a culpa dessas pessoas com relação a demarcação???? E se a demarcação ocorrer, o que irá acontecer com essas pessoas que compraram terras de boa fé???? Já adianto a você. Serão despejadas de suas terras com direito a indenização apenas das construções realizadas. Sem contar que essas indenizações serão miseráveis e demorarão anos para serem pagas. E o valor que o produtor investiu nessa terá (na aquisição e no decorrer dos anos), ele receberá de volta????? Uma área de terras que vale 5 milhões de reais ser entregue a índios e depois receber uns 100 mil pelas benfeitorias. Você acha isso justo????? E se fosse com você. Se fossem demarcar uma área urbana e a sua casa entrasse no meio da demarcação. Você sairia na boa???? Para receber o valor da tua casa alguns anos mais tarde????? O índio tem direito a terra sim. Então vamos desocupar o Brasil. O que você acha disso???? Vamos todos voltar para a Europa, já que fomos nós que tomamos as terras indígenas a mais de 500 anos atrás




Artigo encontrado na NET o qual comento em vermelho:

... Um dos principais focos de tensão na atualidade é o Mato Grosso do Sul. As 53 vítimas de assassinato em 2007 ocorridas no Estado representam mais da metade dos assassinatos de indígenas ocorridos em todo o Brasil. A violência atinge, sobretudo, o Povo Guarani Kaiowá. “Está ocorrendo um aumento dos conflitos na retomada das terras”, observa a antropóloga Lúcia Rangel, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e coordenadora do levantamento sobre episódios de violência do Cimi. “Os fazendeiros mandam a segurança privada para retirá-los das terras. A situação é delicada. As terras são pequenas e superpovoadas”.  (retomada das terras faz pressupor que elas estavam nas mãos de alguém. Como chegou até o atual proprietário? Foi grilada ou comprada legalmente? Se foi comprada legalmente quem vendeu? Não existe uma coisa chamada "Cadeia Dominial"? A vendeu suas terras a B, que vendeu para C , que  vendeu para D e agora é herança dos filhos, netos e bisnetos deste último. Assim se completa a cadeia dominial de uma propriedade, ou seja, toda a relação de proprietários de uma terra desde seu descobridor e desbravador até o último dono. Pouca gente sabe, mas essa seqüência é exigida pelo Incra para reconhecer a propriedade da terra em favor de qualquer família.)

Dourados (MS) é o exemplo acabado da descrição da antropóloga. No território total de 3.475 hectares regularizados como Terras Indígenas (TIs) vivem aproximadamente 12 mil pessoas. O estudo do Cimi faz uma constatação surpreendente: no Mato Grosso do Sul, há em média sete hectares de terra para cada cabeça de gado, enquanto nas terras indígenas de Dourados há apenas e tão-somente cerca de 0,3 hectare por pessoa. (Comparação idiota. Em 8.000 km² - cidade de Campo Grande vivem cerca de 700.000 pessoas - e nada a ver comparar a área de pastagem com área de pessoas. Esqueceu ainda o autor das fazendas com extensas plantações de soja.)

Representante dos Guarani Kaiowá de Dourados, Anastácio Peralta afirma que há um clima de “insegurança” permanente na comunidade. “É muita gente. As lideranças não dão conta. Existe a violência interna, com brigas, drogas e alcoolismo, e a externa, com a ação dos pistoleiros”, afirma. (Agora chegou onde eu queria: o que está dizimando os índios é a bebida - bebem todos: homens, mulheres e os jovens estão cada vez entrando mais cedo no álcool - Muitas vezes a polícia entrou na aldeia de Dourados retirou toda a bebida, prendeu o fornecedor - mas não adianta. Deixam de alimentar as crianças que morrem desnutridas gerando o maior dramalhão mas a bebida não falta. minha filha se hospedou em um hotel quando foi conhecer a Serra da Bodoquena - disse que um casal de índios não a deixou dormir tal a arruaça que aprontavam bêbados. Se estavam em um hotel em área turística não eram tão pobres assim! Desculpem mas não consigo me sentir culpada por alguém gostar de uma cachacinha.)

Anastácio não pestaneja em apontar a questão territorial como a principal motivação para esse contexto marcado pela violência. O espaço reduzido é um entrave para que os indígenas se organizem de forma plena conforme a sua lógica, em unidades autônomas (conhecidas como “tekohá”) baseadas nas relações familiares e com chefias políticas e religiosas independentes.

Além disso, as TIs da região têm ao seu redor criação de gado em regime extensivo, produção de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar para a exportação e a indústria. Tudo isso agrava a violência interna. Grande parte das mortes se dá em decorrência de desentendimentos entre os próprios índios. Os índios reivindicam da Fundação Nacional do Índio (Funai) a demarcação de mais 100 territórios destinado aos povos indígenas da região. ( Esta nem precisa comentar...Vão parar de se desintender se tiverem os 100 territórios? É ruim heim!)

“Não fomos preparados para viver no confinamento”, critica o líder Guarani Kaiowá. Ele argumenta que falta madeira para construir as casas, há escassez de matéria-prima e a caça e a pesca estão comprometidas. Muitos sobrevivem com a produção de artesanato. E cada vez mais índios buscam trabalho como assalariados nas usinas de álcool, em franco processo de expansão. (Eles precisam entender que o mundo mudou - ou eles acham que nós fomos preparados para viver em um terreno de 10X20 m² com uma área construída de 60 m²? - Alguém da Funai precisa explicar os fatos básicos da vida moderna para eles. Engraçado: Adoram roupinhas do homem branco, a bebida do homem branco, a TV do homem branco, o celular e o relógio do homem branco - mas a terra eles querem a dos índios? - Eles querem os bônus e nós ficamos com o ônus? )

A Funai implantou uma nova administração em Dourados no ano passado. De acordo com a entidade, a unidade local ainda está em “momento de estruturação”. O objetivo, alega a entidade federal, é dar suporte para o trabalho que vem sendo realizado pelo Comitê Gestor de Ações Indigenistas Integradas para o Cone Sul do Mato Grosso do Sul.

Suicídio
Esse quadro de instabilidade latente acaba se refletindo na alta incidência de suicídio entre os indígenas. Em 2007, 28 índios deram fim à própria vida. As mortes atingem principalmente adolescentes. Do total, foram 12 casos de suicídio na faixa dos 13 aos 17 anos, seis vítimas de 18 a 24 anos e apenas quatro tinham mais de 30 anos. O Mato Grosso do Sul domina as estatísticas com 23 registros. As vítimas foram todas do povo Guarani Kaiowá. “O enfraquecimento cultural traz o suicídio”, lamenta Peralta. (E as missões religiosas? Nem para explicar a eles que o suicídio não resolve nada além de, nas teorias religiosas, ser um grave pecado que manda as pobres alminhas diretamente para o caldeirão do capeta? Então o que elas estão fazendo lá?)

O desemprego, a falta de recursos, a impossibilidade de sustentar a família e ausência de perspectivas também são algumas das possíveis causas apontadas pelo relatório. “Parece que há um grito do jovem em dizer que a vida não está boa. Num contexto de muita tensão, ameaça e violência, qualquer coisa torna esses jovens fragilizados”, adiciona Lúcia Rangel. (Novamente - alguém precisa explicar a eles que a maioria do povo brasileiro está no mesmo barco com tendências a piorar se tivermos de ser confinados em aldeias para devolver a quase totalidade do território para eles e seus "co-irmãos" quilombolas....)

Para a antropóloga, já é possível afirmar que o Povo Guarani Kaiowá sofre um processo de “genocídio”. “É um genocídio lento. O que a gente identifica é um alto índice de mortalidades, seja por assassinatos, desnutrição, falta de assistência ou suicídio. Há uma impossibilidade de reproduzir a vida em seu modelo de subsistência. A vida em comunidade está sendo impedida”. (Será que a antropóloga está preocupada também com o genocídio no Rio de Janeiro e o infanticídio no Pará?)

aqui deixei de fora dois ou três parágrafos pois se referem à Raposa do Sol - assunto já muito conhecido.

E volto:

Mão-de-obra
O relatório do Cimi aponta também que “a Funai não tem fiscalizado adequadamente a utilização da mão-de-obra indígena no corte de cana”. No ano passado, o grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) descobriu 1.011 indígenas, a maioria deles Guarani Kaiowá, vivendo em condições degradantes na Usina Debrasa, em Brasilândia (MS). Além disso, 150 indígenas que trabalhavam no corte de cana-de-açúcar na Destilaria Centro Oeste Iguatemi Ltda (Dcoil), no município de Iguatemi (MS), foram resgatados pelos fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Mato Grosso do Sul (SRTE-MS). (Em São Paulo trabalhadores não índios estão morrendo exaustos de tanto trabalhar no corte da cana - A coisa não é menosprezo ao indio - é menosprezo ao homem pobre - seja ele branco, amarelo, indio ou negro).

“Os trabalhadores são recrutados na região deles. A Funai não vai atrás. Ela não tem pessoal para isso. Quem vai é o MTE”, conta Lúcia Rangel. “A Funai funcionou, durante uma certa época, como agenciadora de mão-de-obra. Em muitos postos indígenas, os índios passaram a ser funcionários da Funai. Acho que isso escapou ao controle”, afirma a professora.

Aloysio Guapindaia, da Funai, responde às críticas e lamenta a falta de estrutura da entidade. “Não temos como evitar que as usinas de cana aliciem a mão-de-obra indígena. A Funai, no passado, não se antecipou a essa problemática”, diz. “Há uma estrutura deficitária. Nos últimos 20 anos passamos por um processo de esvaziamento. Agora no governo Lula começa um processo de reestruturação”. Ele afirma que o Comitê Gestor deve começar a atuar na fiscalização de uma “relação de trabalho justa entre usina e índio”, que reconheça “as diferenciações culturais”. O objetivo é dar uma cobertura especializada às ações do MTE. (Serão justas as relações de trabalho entre as usinas e os trbalhadores não índios? Da maneira como foi colocado neste artigo é como se o homem branco vivesse no Eden sob as bênçãos de Jeová e o pobre índio sob as botas o chicote e a fornalha de Lucifer. )

Me poupem!

       Cida Fraga, quase pedindo proteção à Funai....



- Povos Indígenas!

Quem são? Quantos são? Onde estão?

A expressão genérica "povos indígenas" refere-se a grupos humanos espalhados por todo o mundo, e que são bastante diferentes entre si. Apenas no Brasil, há mais de 200 desses povos.

É apenas o uso corrente da linguagem que faz com que, em nosso e em outros países, fale-se em povos indígenas, ao passo que, na Austrália, por exemplo, a forma genérica para designá-los seja aborígines. Indígena ou aborígine, como ensina o dicionário, quer dizer "originário de determinado país, região ou localidade; nativo". Também podem ser "nativos e autóctones".

 O que todos os povos indígenas têm em comum? Antes de tudo, o fato de cada qual se identificar como coletividade específica, distinta de outras com as quais convive e, principalmente, do conjunto da sociedade do país onde está.

Em pleno século XXI a grande maioria dos brasileiros ignora a imensa diversidade de povos indígenas que vivem no país. Estima-se que, na época da chegada dos europeus, fossem mais de 1.000 povos, somando entre 2 e 4 milhões de pessoas. Atualmente encontramos no território brasileiro 227 povos:

 1 - As famílias lingüísticas Tupi Guarani, Aweti, Munduruku, Mawé, Tupari, Arikem, Mondé, Ramarama e Juruna fazem parte do Tronco Tupi. As famílias lingüísticas Jê, Maxakali, Krenak, Yatê, Karajá, Ofaié, Guató, Rikbaktsa e Bororo fazem parte do Tronco Macro-Jê . Povos que falam o Português correspondem a casos de perdas lingüísticas e/ ou identidades emergentes

2 - Os números desta listagem são aproximados, devido aos muitos problemas de censo, principalmente nos casos das etnias que se encontram espalhadas em várias terras, cujos censos foram feitos em épocas e por instituições diferentes.

3 - Apalai e Wayana: apesar de serem etnias distintas, o censo é dificultado, devido à alta incidência de intercasamentos.

4- Os povos Guarani, Kayapó, Maku, Nambikwara, Tiriyó, Waiwai e Yanomami foram contabilizados em bloco, apesar da diversidade interna de cada um.

Falam mais  de 180 línguas diferentes. A maior parte dessa população distribui-se por milhares de aldeias, situadas no interior de 593 Terras Indígenas, de norte a sul do território nacional. Para o ISA ( Instituto Socioambiental) a população indígena no Brasil atual está estimada em 600 mil indivíduos, (lembram que na parte I eu tinha esta informação:  Existem no Brasil inteiro 750 mil índios para 100 mil ONGs , agora o ISA diz que a população indígena no Brasil atual está estimada em 600 mil indivíduos. Em curto espaço de tempo desintegraram 150.000 pessoas ... é para tsunâmine ficar com inveja...)  sendo que deste total cerca de 480.000 mil vivem em suas Terras Indígenas (e, em menor número, em áreas urbanas próximas a elas), enquanto outros 120.000 mil encontram-se residindo em diversas capitais do país. Importante ressaltar que os dados do IBGE (Censo Populacional de 2000) indicaram que a parte da população brasileira que se auto-declarou genericamente como “indígena” alcançou a marca de 734 mil pessoas, marca, portanto, superior a estimada pelo ISA.

B – Como vivem.

Quando comparadas à nossa sociedade, os povos indígenas revelam características comuns. Quando vistos de perto, mostram semelhanças e diferenças entre si. Variam suas culturas, línguas, habitats, modos de organização social, política e maneiras de se relacionar com o meio ambiente. A história, os graus e as formas dos que os povos indígenas têm estabelecido com outros segmentos da sociedade brasileira também são bastante diversos. 

Neste imenso país em formação que é o Brasil, existem, também, índios avessos ao contato permanente e sistemático com a nossa sociedade e são, por isso, chamados de índios isolados, ou podem ainda se inter-relacionarem.  

Com o contato com a nossa sociedade, certamente aconteceram  mudanças no modo de viver dos povos indígenas. Vejamos:

As culturas indígenas como quaisquer outras não são estáticas. (Mudam apenas no que lhes interessa: Roupas, celular, avião... mas na quantidade de terra pretendida continuam no ano 1.500!...) Mudam ao longo do tempo, mesmo que não seja por influência estrangeira. Por isso, não é necessário  que eles "permaneçam como estão".  Esta ótica torta é que faz com que os povos indígenas “precisem” ser tutelados. São julgados como seres de mente inferior incapaz de gerir as suas vidas e aí entram os políticos e as famosas ONGs. O que é preciso, e não vem sendo observado, é que eles não percam as suas identidades. Por exemplo: Alguém tenta impedir o baiano de dançar capoeira ou alguém do Pará pode ser impedido de dançar o carimbó? Não! Porque é a sua cultura! Não podemos impor deuses estranhos aos povos indígenas,  nem as religiões trazidas da Europa (caso das seitas petencostais). Isto nada tem a ver com eles.

Precisamos  defender que tenham condições sociais, econômicas e políticas de absorver as novidades que vêm do contato, da forma como lhes parecer mais adequada, sem que lhes sejam tiradas as suas raízes culturais. 

Embora ele assimile padrões do chamado homem branco precisa (e deve) preservar a sua identidade étnica, ou seja, a consciência de pertencer  a um determinado povo, mas que se insira no meio onde vive. Não pode pleitear assimilar os padrões do homem branco sem assimilar a sua responsabilidade diante do país que também é dele. Não pode ter os direitos e não os  deveres.

Grifei o também pois ele não é o único habitante por aqui. Foi!  Perdeu! Que culpa temos nós? Para onde iremos? Marte? Saturno? As reclamações deveriam ser encaminhadas a Portugal!

Há povos cujos membros trabalham no mercado regional e são assalariados, como os Guarani-Kaiowá, envolvidos no corte de cana-de-açúcar para as destilarias de álcool do estado do Mato Grosso do Sul,  índios  se candidatam às eleições, estudam em faculdades, são artesãos, se reúnem e realizam assembléias. Eles  devem decidir como querem viver.  Nunca o prepotente “senhor branco conhecedor de todas as verdades absolutas”deverá tomar as decisões em seu lugar , mas não se esqueçam que somos quase 180 milhões de habitantes e não haverá reforma agrária ou urbana que resolva o nosso problema.  Não há mais grandes navegadores nem terras a descobrir!

Leio  que está praticamente pronta a titularização da área da Restinga de Marambaia para os quilombolas. Se fossem reunidas todas as áreas que se auto-intitulam quilombolas, elas formariam um território do tamanho da Itália ou do estado de São Paulo - são mais de 30 milhões de hectares habitados por uma população estimada em 2,5 milhões de pessoas. Elas estão espalhadas por mais de 800 municípios em todos os estados, à exceção do Acre e de Roraima.  Índios de um lado, quilombolas de outro,  e nós a maioria virando a salsicha do cachorro quente...

 

C– Políticas Indígenas

A expressão "política indigenista" foi utilizada por muito tempo como sinônimo de toda e qualquer ação política, governamental ou não, que tivesse as populações indígenas como objeto mas não  se confunde com a protagonizada pelos proprios índios.

Há um entendimento de que a política indigenista refere-se especificamente àquelas ações voltadas para os povos indígenas, com implicações profundas em seu modo de vida e cotidiano, mas cuja proposição e autoria parte de outros agentes sociais. E quais são estes agentes?

São: O Estado, a  política de saúde indígena (?) e a educação escolar indígena.

São entes pomposos que nada resolvem, mais atrapalham que ajudam, haja vista a mortandade infantil por desnutrição no Mato Gosso do Sul.

Curta  experiência de representação nacional a Uni (União das Nações Indígenas), nunca se institucionalizou formalmente, Foi fundada  em 1992 numa Assembléia da Coiab, a Capoib (Conselho de Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Brasil), sob o acompanhamento e os auspícios do Cimi (Conselho Indigenista Missinário, órgão oficial da CNBB, da Igreja Católica Romana). Ou seja: eles não se entendem!

As organizações indígenas no Brasil são voláteis, eles tem dificuldade de construí formas estáveis de representação por ser de culturas diversas e estarem  muito espalhados. É diferente, por exemplo,  da Bolívia, do Peru ou Equador.  Lá eles são em maior proporção e em base territorial menor o que facilita a aglutinação.

A realidade no Brasil é cada aldeia ter seus próprios hábitos, sua língua, e seu modo de se relacionar com o homem branco.

 

D – Capítulo à parte – As missões

Desde a colonização do Brasil pelos portugueses, tenta se impor aos povos indígenas deuses e crenças alheias a sua cultura. Começou  pela Igreja Católica e atualmente  envolve um conjunto heterogêneo de missionários preocupados com a evangelização (e o dízimo...)  dos povos indígenas. Cada qual com seus projetos disputam as pobres alminhas indígenas. O que eles pensam, o que sentem é “apenas um detalhe” como diria uma ex-czarina brasileira... É preciso evangelizar a qualquer custo!

Centenas de grupos protestantes  freqüentemente são denunciados por suas práticas de claro desrespeito à diversidade cultural, com a imposição de valores, cultos e cosmologias estranhos aos índios.

Estes agentes ocupam o lugar do Estado ausente, usam como disfarce programas de saúde que é a principal forma de legitimar a sua presença entre os índios e, às vezes, de justificar a sua entrada nas áreas indígenas.

Quanta bondade!


Vejam o que escreveu Hélio Fernandes em 29/07/2008
na Tribuna da Imprensa:
 

Poderosos do mundo querem a Amazônia

Brasileiros se omitem

Grupo dos 100, que se julgam donos do mundo: "Só a internacionalização pode salvar a Amazônia". Deputados e senadores da Itália, pátria da "corrupção endêmica" de que falou outro corrupto, o presidente Clinton: "A destruição da Amazônia será a destruição do mundo".

Ecologistas da Alemanha, reunidos em Congresso: "A única salvação para a Amazônia brasileira é a sua internacionalização".

Mikhail Gorbachov, traidor do seu próprio país, a União Soviética, que entregou de mãos beijadas aos piores interesses multinacionais: "O Brasil deve ceder parte de seus direitos sobre a Amazônia aos organismos internacionais competentes".

François Mitterrand, quando acabava de obter o segundo mandato de presidente da França, com pequeníssima margem de diferença, no segundo turno: "O Brasil precisa aceitar uma soberania sobre a Amazônia. Mesmo que seja uma soberania relativa".

Ecologistas reunidos nos EUA: "Dois terços do oxigênio do mundo vêm da Amazônia do Brasil. Eles não podem ser o pulmão do mundo, pois não têm competência para isso".

Warren Cristopher, secretário de Estado dos EUA, da mesma linha de John Foster Dulles, Kissinger e outros: "Temos que aproveitar a liderança dos EUA para impor nos países da Amazônia, principalmente o Brasil, a diplomacia da força. E com isso ficarmos com a Amazônia do Brasil".

Outro grupo de verdes da França, ditos democráticos, mas na verdade mantidos por multinacionais exploradoras: "A Amazônia, principalmente a do Brasil, tem que ser intocável, pois é o verdadeiro banco de reservas florestais da humanidade".

Margaret Thatcher, baronesa da privatização mundial, 13 anos no poder na Inglaterra e hoje no mais completo ostracismo: "Se os países subdesenvolvidos não conseguem pagar suas dívidas externas, que vendam seus territórios, suas riquezas, suas fábricas, suas reservas". (O "conselho-intimação-intimidação" de Dona Thatcher está sendo seguido fielmente pelo governo FHC).

Conselho Mundial de Igrejas Cristãs: "A Amazônia é um patrimônio da humanidade. A posse dessa área colossal pelo Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru e Equador não pode ser permanente".

Grupos multinacionais, reunidos nos EUA, a pretexto de defender o direito dos índios ianomâmis a terras que correspondem ao território de 27 Bélgicas: "É preciso ratificar e defender o direito dos índios ianomâmis a territórios que pertencem a eles, na fronteira com a Venezuela".

PS - Isso é o que alguns grupos multinacionais e seus testas-de-ferro dizem da Amazônia. E o que poderíamos dizer deles? Pois fiquem sabendo que defenderemos a Amazônia como os chineses defenderam Porto Artur em 1905 da invasão estrangeira: com a própria vida.









Isto foi me passado pela minha grande amiga Iracema Pedrosa. Uma jovem de 80 anos residente em Manaus.

 
 (DIRETRIZES DO CONSELHO MUNDIAL    DAS IGREJAS CRISTÃS ) AO ESTUDO N.º 001/1ª SC/89
 
                      WALTER HEINRICH RUDOLPH FRANK  TRADUTOR PÚBLICO  JURAMENTADO E INTÉRPRETE   COMERCIAL  PORTUGUÊS - ALEMÃO


                 Rua Senador Feijó, n.º 20 - 1º andar conj. 002 telefone 124 5754
                         Tradução n.º 4.039 Livro XVI Fls. 01 Data 22.7.1987
 
CERTIFICO e dou fé, para os devidos fins, que me foi apresentado um documento em idioma ALEMÃO, que identifiquei como Exposição, cuja tradução para o vernáculo, é do seguinte teor:

CHRISTIAN CHURCH WORLD COUNCIL            Genebra, julho de 1.981    
                        Exposição 03/81
 
 
                                               DIRETRIZES BRASIL N.º 4 - ANO “0”
 
                                 PARA: Organizações Sociais Missionárias no Brasil
 
1 - Como resultado dos congressos realizados neste e no ano passado, englobando 12 organismos científicos dedicados aos estudos das populações minoritárias do mundo, emitimos estas diretrizes, por delegação de poderes, com total unanimidade de votos menos um dos presentes ao "I Simposium Mundial sobre Divergências Interétnicas na América do Sul".
 
2 - São líderes deste movimento: a) Le Comité International de La Defense de l`Amazonie; b) Inter-American Indian Institute c) The International Ethnical Survival; d) The International Cultural Survival; e) Workgroup for Indinenous Affairs; f) The Berna-Geneve Ethnical Institute e este Conselho Coordenador.
 
3 - Foram contemplados com diretrizes específicas os seguintes países: Venezuela n.º 1, Colômbia n.º 2; Perú n.º 3; Brasil n.º 4, cabendo a Diretriz n.º 5 aos demais países da América do Sul.
 
   DIRETRIZES
 
 A - A AMAZÔNIA TOTAL, CUJA MAIOR ÁREA FICA NO BRASIL, MAS COMPREENDENDO TAMBÉM PARTE DOS TERRITÓRIOS VENEZUELANO, COLOMBIANO E PERUANO, É CONSIDERADA POR NÓS COMO UM PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE. A POSSE DESSA IMENSA ÁREA PELOS PAÍSES MENCIONADOS É MERAMENTE CIRCUNSTANCIAL, NÃO SÓ DECISÃO DE TODOS OS ORGANISMOS PRESENTES AO SIMPÓSIO COMO TAMBÉM POR DECISÃO FILOSÓFICA DOS MAIS DE MIL MEMBROS QUE COMPÕEM OS DIVERSOS CONSELHOS DE DEFESA DOS ÍNDIOS E DO MEIO AMBIENTE.
 
B - É NOSSO DEVER: PREVENIR, IMPEDIR, LUTAR, INSISTIR, CONVENCER, ENFIM ESGOTAR TODOS OS RECURSOS QUE, DEVIDA OU INDEVIDAMENTE, POSSAM REDUNDAR NA DEFESA, NA SEGURANÇA, NA PRESERVAÇÃO DESSE IMENSO TERRITÓRIO E DOS SERES HUMANOS QUE O HABITAM E QUE SÃO PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE E NÃO PATRIMÔNIO DOS PAÍSES CUJOS TERRITÓRIOS, PRETENSAMENTE, DIZEM LHES PERTENCER.
 
C - É nosso dever: impedir em qualquer caso a agressão contra toda a área amazônica, quando essa se caracterizar pela construção de estradas, campos de pouso, principalmente quando destinados a atividades de garimpo, barragens de qualquer tipo ou tamanho, obras de fronteiras civis ou militares, tais como quartéis, estradas, limpeza de faixas, campos de pouso militares e outros que signifiquem a tentativa ou do que a civilização chama de progresso.
 
D - É NOSSO DEVER MANTER A FLORESTA AMAZÔNICA E OS SERES QUE NELA VIVEM, COMO OS ÍNDIOS, OS ANIMAIS SILVESTRES E OS ELEMENTOS ECOLÓGICOS, NO ESTADO EM QUE A NATUREZA OS DEIXOU ANTES DA CHEGADA DOS EUROPEUS. PARA TANTO É NOSSO DEVER EVITAR A FORMAÇÃO DE PASTAGENS, FAZENDAS, PLANTAÇÕES E CULTURAS DE QUALQUER TIPO QUE POSSAM SER CONSIDERADAS COMO AGRESSÃO AO MEIO.
 
E - É NOSSO PRINCIPAL DEVER, PRESERVAR A UNIDADE DAS VÁRIAS NAÇÕES INDÍGENAS QUE VIVEM NO TERRITÓRIO AMAZÔNICO, PROVAVELMENTE HÁ MILÊNIOS. É NOSSO DEVER EVITAR O FRACIONAMENTO DO TERRITÓRIO DESSAS NAÇÕES, PRINCIPALMENTE POR MEIO DE OBRAS DE QUALQUER NATUREZA, TAIS COMO ESTRADAS PÚBLICAS OU PRIVADAS, OU AINDA ALARGAMENTO, POR LIMPEZA OU DESMATAMENTO, DE FAIXAS DE FRONTEIRA, CONSTRUÇÃO DE CAMPOS DE POUSO EM SEUS TERRITÓRIOS. É NOSSO DEVER CONSIDERAR COMO MEIO NATURAL DE LOCOMOÇÃO EM TAIS ÁREAS, APENAS OS CURSOS D`ÁGUA EM GERAL, DESDE QUE NAVEGÁVEIS. É NOSSO DEVER PERMITIR APENAS O TRÁFEGO COM ANIMAIS DE CARGA, POR TRILHAS NA FLORESTA, DE PREFERÊNCIA AS FORMADAS POR SILVÍCOLAS.
 
F - É NOSSO DEVER DEFINIR, MARCAR, MEDIR, UNIR, EXPANDIR, CONSOLIDAR, INDEPENDER POR RESTRIÇÃO DE SOBERANIA, AS ÁREAS OCUPADAS PELOS INDÍGENAS, CONSIDERANDO-AS SUAS NAÇÕES. É NOSSO DEVER PROMOVER A REUNIÃO DAS NAÇÕES INDÍGENAS EM UNIÕES DE NAÇÕES, DANDO-LHES FORMA JURÍDICA DEFINIDA. A FORMA JURÍDICA A SER DADA A TAIS NAÇÕES INCLUIRÁ A PROPRIEDADE DA TERRA, QUE DEVERÁ COMPREENDER O SOLO, O SUBSOLO E TUDO QUE NELES EXISTIR, TANTO EM FORMA DE RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS COMO NÃO RENOVÁVEIS. É NOSSO DEVER PRESERVAR E EVITAR, EM CARÁTER DE URGÊNCIA, ATÉ QUE NOVAS NAÇÕES ESTEJAM ESTRUTURADAS, QUALQUER AÇÃO DE MINERAÇÃO, GARIMPAGEM, CONSTRUÇÃO DE ESTRADAS, FORMAÇÃO DE VILAS, FAZENDAS, PLANTAÇÕES DE QUALQUER NATUREZA, ENFIM QUALQUER AÇÃO DOS GOVERNOS DAS NAÇÕES COMPREENDIDAS  NO ITEM  3  DESTA.
 
G - É NOSSO DEVER:  A PESQUISA, A IDENTIFICAÇÃO E A FORMAÇÃO DE LÍDERES QUE SE UNAM À NOSSA CAUSA, QUE É A SUA CAUSA. É NOSSO DEVER PRINCIPAL TRANSFORMAR TAIS LÍDERES EM LÍDERES NACIONAIS DESSAS NAÇÕES. É NOSSO DEVER IDENTIFICAR PERSONALIDADES PODEROSAS, APTAS A DEFENDER OS SEUS DIREITOS A QUALQUER PREÇO E QUE POSSAM AO MESMO TEMPO LIDERAR OS SEUS COMANDADOS, SEM RESTRIÇÕES.
 
H - É NOSSO DEVER EXERCER FORTE PRESSÃO JUNTO ÀS AUTORIDADES LOCAIS DESSE PAÍS, PARA QUE NÃO SÓ RESPEITEM O NOSSO OBJETIVO, MAS O COMPREENDA, APOIANDO-NOS EM TODAS AS NOSSAS DIRETRIZES. É NOSSO DEVER CONSEGUIR O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL EMENDAS CONSTITUCIONAIS NO BRASIL, VENEZUELA E COLÔMBIA, PARA QUE OS OBJETIVOS DESTAS DIRETRIZES SEJAM GARANTIDAS POR PRECEITOS CONSTITUCIONAIS.
 
I - É NOSSO DEVER GARANTIR A PRESERVAÇÃO DO TERRITÓRIO DA AMAZÔNIA E DE SEUS HABITANTES ABORÍGENES, PARA O SEU DESFRUTE PELAS GRANDES CIVILIZAÇÕES EUROPÉIAS, CUJAS ÁREAS NATURAIS ESTEJAM REDUZIDAS A UM LIMITE CRÍTICO.
 
PARA QUE AS DIRETRIZES AQUI ESTABELECIDAS SEJAM CONCRETIZADAS E CUMPRIDAS, COM BASE NO ACORDO GERAL DE JULHO PASSADO, É PRECISO TER SEMPRE EM MENTE O SEGUINTE:
 
a) ANGARIAR O MAIOR NÚMERO POSSÍVEL DE SIMPATIZANTES, PRINCIPALMENTE ENTRE PESSOAS ILUSTRES, COMO É O CASO DE GILBERTO FREIRE NO BRASIL, BEM COMO E PRINCIPALMENTE ENTRE POLÍTICOS, SOCIÓLOGOS, ANTROPÓLOGOS, GEÓLOGOS, AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS, INDIGENISTAS E OUTROS DE IMPORTANTE INFLUÊNCIA, COMO É O CASO DE JORNALISTAS E SEUS VEÍCULOS DE IMPRENSA. CADA SIMPATIZANTE DEVE SER INSTRUÍDO PARA QUE CONSIGA MAIS 10, ESSES 10 E CADA UM DELES MAIS 10 E ASSIM SUCESSIVAMENTE, ATÉ FORMARMOS UM CORPO DE SIMPATIZANTES DE GRANDE VALOR.
 
b) MAXIMIZAR NA MEDIDA DO POSSÍVEL, A CARGA DE INFORMAÇÕES, APERFEIÇOAR O CENTRO ECUMÊNICO DE DOCUMENTAÇÃO E, A PARTIR DELE, ALIMENTAR OS PAÍSES E SEUS VEÍCULOS DE DIVULGAÇÃO COM TODA SORTE DE INFORMAÇÕES.
 
c) ENFATIZAR O LADO HUMANO, SENSÍVEL DAS COMUNICAÇÕES PERMITINDO QUE O OBJETIVO BÁSICO PERMANEÇA EMBUTIDO NO BOJO DA COMUNICAÇÃO, EVITANDO DISCUSSÕES EM TORNO DO TEMA. NO CASO DOS PAÍSES ABRANGIDOS POR ESTAS DIRETRIZES, É PRECISO LEVAR EM CONSIDERAÇÃO A POUCA CULTURA DE SEUS POVOS, A POUCA PERSPICÁCIA DE SEUS POLÍTICOS ÁVIDOS POR VOTOS QUE A IGREJA PROMETERÁ EM ABUNDÂNCIA.
 
d) CRITICAR TODOS OS ATOS GOVERNAMENTAIS E DE AUTORIDADES EM GERAL, DE TAL MODO QUE NOSSO IDEAL CONTINUE PRESENTE EM TODOS OS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO DOS PAÍSES AMAZÔNICOS, PRINCIPALMENTE DO BRASIL, SEMPRE QUE OCORRA UMA AGRESSÃO À AMAZÔNIA E ÀS SUAS POPULAÇÕES INDÍGENAS.
 
e) EDUCAR E ENSINAR A LER OS POVOS INDÍGENAS, EM SUAS LÍNGUAS MATERNAS, INCUTINDO-LHES CORAGEM, DETERMINAÇÃO, AUDÁCIA, VALENTIA E ATÉ UM POUCO DE ESPÍRITO AGRESSIVO, PARA QUE APRENDAM A DEFENDER OS SEUS DIREITOS. É PRECISO LEVAR EM CONSIDERAÇÃO QUE OS INDÍGENAS DESSES PAÍSES SÃO APÁTICOS SUBNUTRIDOS E PREGUIÇOSOS. É PRECISO QUE ELES VEJAM O HOMEM BRANCO COMO UM INIMIGO PERMANENTE, NÃO SOMENTE DELE, ÍNDIO, MAS TAMBÉM DO SISTEMA ECOLÓGICO DA AMAZÔNIA. É PRECISO DESPERTAR ALGUM ORGULHO QUE O ÍNDIO TENHA DENTRO DE SI. É PRECISO QUE O ÍNDIO VEJA E TENHA CONSCIÊNCIA DE QUE O MISSIONÁRIO É A ÚNICA SALVAÇÃO.
 
f) É PRECISO INFILTRAR MISSIONÁRIOS E CONTRATADOS, INCLUSIVE NÃO A RELIGIOSOS, EM TODAS AS NAÇÕES INDÍGENAS. APLICAR O PLANO DE BASE DAS MISSÕES, QUE SE COADUNA COM A PRESENTE DIRETRIZ E, DENTRO DO MESMO, A APOSIÇÃO DOS NOSSOS HOMENS EM TODOS OS SETORES DA ATIVIDADE PÚBLICA, É MUITO IMPORTANTE PARA VIABILIZAR ESTAS DIRETRIZES.
 
g) É PRECISO REUNIR AS ASSOCIAÇÕES DE ANTROPOLOGIA, SOCIOLOGIA E OUTRAS EM TORNO DO PROBLEMA, DE TAL MANEIRA QUE SEMPRE QUE NECESSITEMOS DE ASSESSORIA, TENHAMOS ESSAS ASSOCIAÇÕES AO NOSSO LADO.
 
h) É PRECISO INSISTIR NO CONCEITO DE ETNIA, PARA QUE DESSE MODO SEJA DESPERTADO O INSTINTO NATURAL DA SEGREGAÇÃO, DO ORGULHO DE PERTENCER A UMA NOBREZA ÉTNICA, DA CONSCIÊNCIA DE SER MELHOR DO QUE O HOMEM BRANCO.
 
i) É PRECISO CONFECCIONAR MAPAS, PARA DELIMITAR AS NAÇÕES DOS INDÍGENAS, SEMPRE MAXIMIZANDO AS ÁREAS, SEMPRE PEDINDO TRÊS OU QUATRO VEZES MAIS, SEMPRE REIVINDICANDO A DEVOLUÇÃO DA TERRA DO ÍNDIO, POIS TUDO PERTENCIA A ELE. DENTRO DOS TERRITÓRIOS DOS ÍNDIOS DEVERÃO PERMANECER TODOS OS RECURSOS QUE PROVOQUEM O DESMATAMENTO, BURACOS, A PRESENÇA DE MÁQUINAS PERTENCENTES AO HOMEM BRANCO. DENTRE ESSES RECURSOS, OS MAIS IMPORTANTES SÃO AS RIQUEZAS MINERAIS, QUE DEVEM SER CONSIDERADAS COMO RESERVAS ESTRATÉGICAS DAS NAÇÕES A SEREM EXPLORADAS OPORTUNAMENTE.
 
j) É PRECISO LUTAR CM TODAS AS FORÇAS PELO RETORNO DA JUSTIÇA. O QUE PERTENCEU AO ÍNDIO DEVE SER DEVOLVIDO AO ÍNDIO PARA QUE O ESBULHO SEJA COMPENSADO COM PESADAS INDENIZAÇÕES. UMA ESTRADA DESATIVADA JÁ OCASIONOU PREJUÍZOS COM DESMATAMENTO E MORTE DE ANIMAIS. UMA MINA JÁ CAUSOU PREJUÍZOS COM BURACOS E POLUIÇÃO, PORÉM O PREJUÍZO MAIOR FOI COM O MINERAL QUE FOI FURTADO DO ÍNDIO. OS ÍNDIOS NÃO DEVEM ACEITAR CONSTRUÇÕES CIVIS FEITAS PELO HOMEM BRANCO, ELES DEVEM PRESERVAR A SUA CULTURA, TRADIÇÃO E SEUS COSTUMES A QUALQUER PREÇO.
 
k) É PRECISO DEFENDER OS ÍNDIOS DOS ÓRGÃO PÚBLICOS OU PRIVADOS, CRIADOS PARA DEFENDÊ-LOS OU ADMINISTRAR AS SUAS VIDAS TAIS ÓRGÃOS, TANTO OS EXISTENTES NO BRASIL - SERVIÇO DE PROTEÇÃO AO ÍNDIO - COMO EM OUTROS PAÍSES, NÁO DEFENDEM OS INTERESSES DOS ÍNDIOS.
 
l) É PRECISO MANTER AS AUTORIDADES EM GERAL SOB PRESSÃO CRÍTICA, PARA FINALMENTE EVITAR QUE OS SEUS ATOS, APARENTEMENTE SIMPLES, NÃO SE TRANSFORMEM EM DESGRAÇA PARA OS ÍNDIOS. NUNCA SE DEVE DEIXAR DE PROTESTAR CONTRA QUALQUER ATO QUE CONTRARIE AS DIRETRIZES AQUI COMPREENDIDAS.
 
SUPORTE E EXPLICAÇÕES
 
I - As verbas para o início do cumprimento desta etapa já se acham depositadas, cabendo a distribuição ao Conselho de Curadores definir e avaliar a distribuição. Da verba AS 4-81, 60% serão destinadas ao Brasil, 25% À Venezuela e 15% à Colômbia. Ficarão sem verbas até 1983 o Peru e os demais países da América do Sul.
 
II - Os contratados serão de inteira responsabilidade dos organismos encarregados da operação.
 
III - Os relatórios serão enviados mensalmente e o sistema de arquivo não deverá ser liberado para a normativo do arquivo ecumênico, pelo fato de existirem etapas que não integram o convênio com a Igreja Católica desses países.
 
IV - É vedado e proibido aos Conselhos regionais instalados em tais países dirigir-se diretamente aos nossos provedores, para fins de requisição de verba, sob qualquer pretexto que seja. Todas as doações serão centralizadas em Berna.
 
V - Será permitido estipular pequenas verbas, distintas da verba principal, para fins de dar suporte a operações paralelas, não compreendidas nestes diretrizes. As quantias representativas dessas pequenas verbas devem ser devidamente especificadas, tanto quanto à sua origem como em relação à sua destinação.
 
VI - No que concerne à transmissão e tramitação de documentos e informações, são válidas de modo geral as seguintes instruções: para verbas, o Gen. 79-3; para assuntos políticos, o Gen. 80-12; para assuntos de sigilo máximo, o Gen. 79-7 em toda a sua gama e em todos os seus aspectos, sem exceção. O expediente do acordo  sobre a presente diretriz deverá chegar aqui ao mais tardar dentro de 30 dias da data do recebimento desta e estará sujeito à Norma 79-7.
 
VII - O endereço continuará sendo mantido sob a senha "GOTLIEB", principalmente por causa dos colombianos.
 
É o que foi decidido. (Ass. Ileg.) H.V Hoberg
( Ass. Ileg) S.B. Samuelson
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NADA MAIS constava do documento acima, que devolvo junto com esta tradução, que conferi, achei conforme e assino. DOU FÉ.
 
São Paulo, 22 de julho de 1.987
 
Walter H. R Frank
Tradutor Público    
 
 
EU, MARIA IRACEMA PEDROSA,______________________ Vice Presidente do CENTRO DE DESENV0LVIMENTO DE EMPRESÁRIOS E ADMINISTRADORES LÍDERES - CDEAL, trasladei em 1.º de dezembro de 1.999





Governo brasileiro libera OMGs em desacordo com parecer da CTNBio e da Anvisa. Tal fato motivou que o IDEC apresentasse denúncia (a primeira recebida pelo Protocolo) contra o governo brasileiro. O País se coloca na vanguarda. Inaugura a "Sessão de Queixas e Reclamações" do Protocolo de Cartagena.
 
 
Protocolo tem como escopo o movimento de OGMs entre fronteiras, diz secretário de Política e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do ministério

Carlos Orsi escreve para “O Estado de SP”:

O Ministério da Ciência e Tecnologia nega que o Brasil esteja violando o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, um acordo da ONU que está em vigor no país desde 2004.

Na terça-feira (13/5), seis grupos, incluindo o Greenpeace e o Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (Idec), apresentaram denúncia contra o País, afirmando que a forma como organismos geneticamente modificados (OGMs) vêm sendo liberados viola disposições do acordo.

“O Protocolo de Cartagena, cuja concepção e exercício acompanho mesmo antes de sua aprovação, tem como escopo o movimento de OGMs entre fronteiras”, diz o secretário de Política e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do ministério, Luiz Antonio Barreto de Castro, citando o artigo 1º do acordo, que afirma que o protocolo “tem como foco específico os movimentos transfronteiriços” de transgênicos.

“Ele não foi concebido para ingerir na soberania dos países. O protocolo não se sobrepõe à lei brasileira de biossegurança, que sequer o menciona.” Castro diz, ainda, que o Brasil torna públicas todas as liberações comerciais e análises de risco de transgênicos, na forma determinada pelo artigo 20 do protocolo.

“O Brasil tem Lei de Biossegurança”, que pode ser, e já foi, combatida na Justiça, lembra Castro. “As decisões da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) também podem ser contestadas no Conselho Nacional de Biossegurança e no Judiciário.”

A consultora jurídica do Idec Andrea Salazar, uma das autoras da denúncia contra o governo brasileiro, discorda da idéia de que o Protocolo de Cartagena tenha o escopo limitado ao transporte internacional de transgênicos. “Em seu artigo 2º, ele menciona a obrigação de reduzir riscos à vida humana e à biodiversidade”.
(O Estado de SP, 16/5)





 

Depoimento de um Ten. do Exército, que abre os nossos olhos sobre a trama na Amazônia.
 
 
Essa celeuma sobre os índios me fez lembrar anos passados, final de 1965. Eu servia no Recife, tenente do glorioso Exército Brasileiro, em plena “Revolução”. Naquela época na escala de valores dos puxa - sacos de plantão nos quartéis, um tenente valia mais que seis deputados e dois senadores. Viviam me convidando para festas em belas casas e apartamentos da doce burguesia pernambucana. Às vezes eu era centro de atração, queriam saber historias de presos políticos que há pouco tempo governavam o Estado e Capital. Eu estudava à noite Engenharia, mas sobrava tempo para namoros e incursões nas boates, na boemia do Recife. Era uma vida gostosa para um jovem de 25 anos. Certo dia foi publicada no Noticiário do Exército minha transferência para a fronteira da Amazônia, ainda hoje não sei se por castigo.  Solteiro, não tive pressa, o jeito era relaxar e gozar, como diria a perua-mor da República, Martha Suplicy. Preferi viajar de navio. Peguei um Ita no Recife, paquete Princesa Isabel, naveguei até os mares do Pará em um camarote confortável, confortado pelas belas camareiras. Passei mais de uma semana em Belém, terra das mangueiras, da chuva diária depois das cinco da tarde e das morenas fogosas, esperando um navio.
            Até que um dia embarquei. Atravessei o esplendoroso Rio Amazonas no navio Lobo Dalmada. Na parte de baixo um amontoado de gente, famílias inteiras, aventureiros, armavam suas redes, faziam suas necessidades em um apertado banheiro ou quando o navio aportava em um pequeno povoado, alguns corriam para meio do mato outros mergulhavam no rio. Na parte de cima havia certo conforto, 12 camarotes bem equipados, com mosquiteiros. Viagem inesquecível, aportamos em várias cidades e povoados, Óbidos, Santarém, Parintins.
          Afinal depois de alguns dias de viagem deslumbrante avistamos Manaus. Fui designado para comandar a 9ª Companhia de Fronteiras de Roraima com sede na pequena Boa Vista. Tive ótima impressão com o trabalho na fronteira, mais da metade dos soldados eram índios ou descendentes. No linguajar diário falavam normalmente o “macuxi” a língua dos índios na região. Chamavam menino de curumim, menina de cunhatã.
            Nos primeiros dias solicitei ao governador, Coronel Rocha da Aeronáutica, irmão do ator, diretor de teatro Aurimar Rocha, um avião para vistoriar toda fronteira da Guiana Inglesa e da Venezuela. Passei três dias com o piloto pousando até em campo de futebol. Impressionei-me com a imensidão e riquezas da região de Roraima. Em Tepe-kén havia uma estrutura montada de garimpeiros. Daqueles riachos saíram fortunas em diamantes.
           Foram dois anos de Roraima, vivi em Boa Vista com incursões na selva entre índios. Consegui terminar o dificílimo curso de Guerra na Selva em Manaus, hoje considerado o mais perfeito curso de guerrilha do mundo. Senti o respeito dos países vizinhos pelos brasileiros. Eu me orgulhava do país, de meu trabalho de vigilante das fronteiras, convivendo com aqueles soldados índios de olhos amendoados, retratos do Brasil.
           Certa vez recebi uma informação. Uma missão de padres americanos que dava assistência religiosa e médica a um lazareto, não permitia brasileiros entrar em sua sede, na casa onde dormiam, onde viviam. Numa manhã peguei um jipe com mais três sargentos, bem armados, fui conhecer a missão, era distante, estrada carroçável. Ao chegar, os padres americanos me receberam apreensivos. Sem mandato, sem autorização disse que ia verificar denúncia de contrabando, entrei na casa olhando de um lado e do outro. Tive receio em levar alguns papéis, não tinha mandato de busca, poderia ser criado um caso internacional. Constatei uma possante estação de rádio, os caridosos missionários americanos falavam diretamente com os USA e o mundo. E outros aparelhos, deviam ser detectores para pesquisar presença de minério. Fiz essa investigação por conta própria, o Comando da Amazônia soube do fato por mim confidencialmente.
     Contei essa história para fazer entender o que está acontecendo por trás da questão indígena em Roraima. Naquelas terras existem muitos minerais, a maior mina de urânio do mundo. Nossos amigos americanos sempre de olho, cobiçando a riqueza alheia. Cuidado Lula para não entregar o ouro ao bandido em nome do direito das “nações indígenas”. Nós já somos essas nações indígenas.



Não conheço a pessoa que escreveu. Me chegou por e-mail de amigos. Mas vale a pena transcrever.

UMA PIADA, UMA AFRONTA, UMA PALHAÇADA, UMA INCONSTITUCIONALIDADE, UM CRIME - DEFINA-SE COMO QUISER A PROPOSTA DE AUMENTO DOS MILITARES QUE O GOVERNO PRETENDE OFERECER
 
Por Rebecca Santoro
O título deste artigo é grande mesmo. É grande porque no título de um artigo deve estar concentrado a sua essência e uma espécie de chamamento ao leitor que se interesse por determinado tema. E, finalmente, é grande porque exalta os adjetivos que se pode colocar ao lado da palhaçada que vem sendo montada e articulada, há anos neste país, por conta das concessões de aumento salarial, de ajustamento constitucional da isonomia (que nunca foi levada a sério) e de verbas para as Forças Armadas. Não há mais como ser discreto e educado para falar deste tema. É uma palhaçada mesmo, um crime de lesa-pátria que vem sendo cometido pelos sucessivos governos civís, desde 1985, assim, nas barbas de tudo mundo, e ninguém faz absolutamente nada - nem os interessados, diga-se de passagem. Honrosa exceção seja feita às mulheres de sargentos e de suboficiais que até já apanharam das forças de segurança do Palácio do Planalto para pedir nada menos que justiça.

O presidente Lula deve anunciar na próxima quarta-feira (só não se sabe bem se a próxima quarta-feira a que se refere o Planalto é neste ano) o reajuste salarial dos militares. Descumprindo descaradamente a Constituição, o que não é mais nenhuma novidade neste governo, trabalha-se com a possibilidade de concessão de reajuste de forma escalonada, com percentuais que variem de 27% a 37%. Dentro deste conceito inconstitucional, está a idéia de elevar de R$ 207,00 para R$ 415 o valor do soldo pago aos recrutas.
Vamos começar pelo mais apelativo: o soldo dos recrutas. Um absurdo esta proposta. Um absurdo conceder aumento maior para os recrutas do que para seus superiores e um absurdo oferecer a esmola de R$ 415,00. Querem instituir também agora o Bolsa-Recruta. Soldado tem que entrar para as FFAA ou serví-las, percebendo, no mínimo, R$ 1.500,00. Chega de cerimônia ao falar de valores! Entendam, senhores ministros e "otoridades" em FFAA, os garotos vão lidar com armamento exclusivo, que vale muita grana no mercado paralelo; vão aprender táticas de guerra (que, depois, poderá ser repassada aqui fora para gente que não gosta de seguir a Lei). Não vou encher a folha de argumentos porque somente estes dois, que qualquer criança com mais de 5 anos entende, já seriam mais do que suficientes.
 
Um milico, hoje, com 30 anos de serviço, em final de carreira, recebe cerca de R$ 5 mil líquidos. Vinte e sete por cento do bruto vai para pagar imposto de renda. Se o governo é quem paga esta porcaria de salário e é o mesmo que recolhe o imposto de renda, porque é que não se isenta o milico do tal do imposto? E a dinheirama que vai para os hospitais militares deste mesmo soldo bruto e que, na hora em que se precisa de um atendimento, não há médico para nenhuma especialidade que não seja a "de emergência"? Tanto é que se paga, descontando direto no bilhete de pagamento, um seguro saúde particular (uma porcaria de plano, diga-se de passagem). Sabem quanto recebem de salário família por membro da família? DEZESSEIS CENTAVOS POR CADA DEPENSENTE! Isso é uma palhaçada!
 
No início desta semana, o General Heleno, Comandante Geral da Amazônia, disse no Canal Livre da TV Bandeirantes, que a tropa está passando dificuldades aflitivas. Foi educado o General. A tropa está desesperada - famílias estão sendo defeitas, filhos estão sendo abandonados por mães que precisam arrumar trabalho, de 8 às 18 horas, seis vezes por semana, em qualquer lugar desta selva de país para os quais seus maridos são transferidos, e em qualquer padaria que ofereça emprego no qual não seja exigido do empregado interesse em fazer carreira longa e estável e no qual, também, não seja exigido (ou priorizado, vamos dizer assim, para não ferir os olhos de leitores que achem que a mulher tem os mesmo direitos que os homens no mercado de trabalho) que as mulheres não estejam em idade fértil, com nítidas possibilidades de vir a engravidar no emprego. Mesmo as que têm emprego público federal ficam pulando de função em função, sem conseguir fazer uma carreira estável, por conta das transferências do marido. Não se pode exigir dessa gente que sejam excelentes e didicados funcionários públicos... Vamos dar nome aos bois e deixar de hipocrisia...
 
Mesmo que haja consenso em designar um aumento geral de 37%, isso não seria o suficiente. Ivone Luzardo é que teve coragem de não ter papas na língua ao dizer ao ministro da defesa que seria necessário, no mínimo, aumento de 100%.  Há que se estudar (e que se exigir) as condições necessárias para que se cumpra a isonomia salarial entre as funções e os poderes. Não há recursos? É claro que há. Vide PACs, recursos para passeatas e manifestações de tudo quanto é grupo ongueiro e de movimento social deste país, a roubalheira aos cofres públicos, os gastos com cartão de crédito corporativo que subiram 1000% no governo Lula etc.
 
Por falar em PAC, a imprensa está se esquecendo de fazer certas ligações entre a fanfarrada "paquista" de Lula pelo país e quem vem, depois dela, para acudir a população dos desastres deixados para trás. Quem? As FFAA, que tampam buracos nas estradas abandonadas ou mal acabadas; que montam hospitais de campanha para ajudar a salvar a população da dengue; que saem para ajudar a população imersa em 2 metros d'água no nordeste; que levam atendimento médico à população indígena abandonada (e entrgue a vícios como a bebida, por exemplo) em seus milhões de hectares de reserva para gringo explorar e para ONG enriquecer.
 
É claro que há recursos para dar reajuste de 100% sim (não falo nem de aumento!). Não há é vontade política e se sabe muito bem o porquê.
 

Rebecca Santoro




Pedro Porfírio

É preciso ter ouvido de mercador e uma vista prá lá de cansada, ou mesmo uma baita cara de pau, para calar a boca diante de uma das farras mais irresponsáveis com o dinheiro público, com o único objetivo de produzir um espetáculo circense em nome de uma suposta intervenção social em três áreas de favelas selecionadas para servirem de mostruários.
Francamente, não dá para entender. Até parece que uma certa mídia prefere ver o circo pegar fogo para depois ter o que falar. Ou então, desapareceram as calculadoras das redações, das casas legislativas e dos centros de opinião. Ninguém se arrisca a falar da extravagância.
É isso mesmo. Jogar um bilhão de reais em três projetos empíricos de melhorias presumidas em três focos já atendidos anteriormente a custos muito mais baixos é dispor do dinheiro público como se fosse privado.
Estou falando de uma distorção gravíssima do ponto de vista institucional, na medida em que a opção por certos gastos se faz a bel prazer de um governante, sem prévia consulta a uma casa legislativa e sem discussão com a sociedade.
Cenário espetaculoso
No caso, nem mesmo as comunidades "beneficiadas" pelos projetos faraônicos, como um teleférico de 120 milhões de reais (isto sem contar os futuros e viciados "aditivos") foram consultadas.
O governador Sérgio Cabral Filho pegou o repasse do PAC, dinheiro de todos os contribuintes, e decidiu na solidão de um poder que subiu à cabeça: vou aplicar aqui e ali e vou fazer isso do jeito que me aprouver.
Não houve um debate com a sociedade, uma audiência pública numa casa legislativa, nada. Chamou três ou quatro profissionais e ordenou: montem um cenário espetaculoso na Rocinha, no Complexo do Alemão e em Manguinhos, caprichem no quesito originalidade e deixem o resto por minha conta.
Essas comunidades ficaram sabendo do que será feito pelo deslumbramento da mídia e pela oferta de empregos, que poderão chegar a 4 mil: nada mal, apesar de temporários. Mas e as outras 700 áreas carentes, com problemas de mais fácil solução, como é que ficam?
E os problemas comuns da grande cidade, que está doente por falta de uma política de saúde competente; que tem baixíssimos índices de qualidade de ensino público, que se expande sem um projeto de transportes racional?
Você provavelmente nem sabe desses delírios juvenis. O governador cismou de colocar um teleférico no conjunto de favelas da antiga Serra da Misericórdia para imitar o que viu na comunidade de Santo Domingo, em Medelín, Colômbia, e não fez por menos: contratou o projeto com o engenheiro francês Eric Romagna e vai comprar na França os 200 carros (com capacidade para 8 passageiros) e os cabos que farão a ligação para a estação ferroviária de Bonsucesso.
Ao anunciar essa "obra turística" ele demonstrou um total desconhecimento da realidade desse ajuntamento de moradias precárias que dá para os bairros de Ramos, Bonsucesso, Olaria, Inhaúma e Penha.
Sequer fez as contas: o projeto do Alemão vai consumir 495 milhões de reais , (isso sem os aditivos) 100 milhões menos do que a Prefeitura gastou de janeiro de 1997 a outubro de 2000 no projeto "favela-bairro", (que já não é barato) em intervenções em 180 comunidades, abrangendo 737 mil pessoas.
Nas minhas contas, as 11 favelas do Complexo têm menos de 200 mil pessoas (não junte no mesmo balaio o Complexo da Penha, cuja âncora é a Vila Cruzeiro) e sempre teve atenção do poder público - claro, numa em caráter definitivo.
A primeira favela que o governador Leonel Brizola visitou ao voltar do exílio foi a da Grota, na Rua Joaquim de Queiróz, uma das entradas do "Alemão" onde a CEDAE, sob o comando pessoal do secretário Luiz Alfredo Salomão instalou a primeira grande rede de água em comunidades proletárias. A caixa d' água instalada no alto do morro foi levada de helicóptero e o sistema de saneamento foi considerado modelo na década de 80.
Chega de insanidade
Há um dado que talvez o extravagante governador não saiba: O índice de desenvolvimento humano (IDH) do Complexo do Alemão é de 0,587, superior ao de muitos Estados da região Nordeste. Isso significa que a situação da educação, da renda per capita e da saúde da favela carioca é melhor do que a de vários Estados, como o Ceará, que tem IDH de 0,506, Pernambuco, 0,577 ou Piauí 0,502.
Eu não quero dizer que esse complexo, que conheço na palma da mão porque o percorri mais de uma vez quando secretário municipal de Desenvolvimento Social, dispense atenção do poder público.
De fato, toda essa cidade precisa da presença do Estado. Mas sem perder a lucidez jamais. O bilhão destinado pelo PAC a esses três focos representa mais de 10% do orçamento fiscal da Prefeitura do Rio de Janeiro, que tem mais de mil escolas, com mais de 700 mil alunos, e um grande rede de saúde. E mais: uma escola padrão da Prefeitura custa R$ 4 milhões e 300 mil. Com R$ 120 milhões, teríamos 28 escolas novinhas em folha.
Para efeito de comparação, vale observar ainda: esse bilhão de reais é mais de que todo o orçamento de R$ 962 milhões da cidade de Natal, capital do Rio Grande do Norte, para 2008.
Não sei se terei êxito esmiuçando a barbaridade que começou a ser posta em execução com festas de quem precisa de uma cutucada para abrir os olhos. Mas vou fazer isso, área por área, pela responsabilidade que tenho e pelo zelo que sempre tive com o dinheiro público: para você ter uma idéia, no início da década de 90, quando secretário municipal de Desenvolvimento Social, gastei menos de 2 milhões de reais no PESZO - programa de implantação da rede de esgotos em mais de 200 comunidades da Zona Oeste do Rio de Janeiro, através do Projeto Mutirão, sem paternalismos, sem empreiteiras ávidas, sem isso que você sabe muito bem que corre quando o dinheiro público rola fácil.
E vou fazer das tripas coração para mobilizar a opinião pública sobre esse devaneio que vai gastar dinheiro até para levantar uma linha férrea, sem falar na construção de apartamentos que são bens pessoais, de família e, portanto, devem ser responsabilidade de cada um.
No tempo do Brizola, que você culpa por um monte de coisas, o governo trabalhou na infra-estrutura e cuidou da legalização das habitações no programa "Cada Família um Lote", desenvolvido pelo então secretário CAÓ. Isso era o que todos queriam.
Vou fazer tudo, avisando: se essas obras de mostruário não derem certo, não venham de bodes expiatórios, como já estão desenhando no horizonte com essa conversa de que o tráfico não admite as melhorias e, portanto, o Estado está fazendo verdadeiras operações de guerra.
coluna@pedroporfirio.com



Pedro Porfírio:

Honestamente, não estou entendendo bulufas sobre o que o governo federal e, principalmente, o governador Sérgio Cabral estão querendo fazer com essa montanha de dinheiro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)na Rocinha, Manguinhos e no Complexo do Alemão.
Pelo que li, é coisa pra mais de 1 bilhão de reais. Dinheiro concentrado em três focos, como se eles tivessem a função de um mostruário, uma típica obra de fachada.
Com a experiência de quem foi duas vezes secretário municipal de Desenvolvimento Social do Rio de Janeiro posso dizer que essa é a própria obra para inglês ver. E não tem nada a ver com as reais necessidades das populações faveladas, que representam 25% dos seis milhões de viventes nesta terra de São Sebastião.
Tudo o que foi concebido saiu das cabeças de alguns delirantes, mais preocupados com o PAC das empreiteiras. Ninguém perguntou a um morador do Complexo do Alemão, onde serão investidos de cara quase meio bilhão de reais, se ele está interessado nesse teleférico, imitação grosseira de uma peça semelhante implantada em Medelín, onde também o cartel da droga faz suas vilas e projetos sociais.
E também ninguém discutiu no âmbito das representações legítimas se tem sentido gastar esta fortuna em apenas algumas comunidades. Se não seria melhor com esse dinheiro investir maciçamente na rede pública de ensino e implantar corajosamente um programa de saúde baseado na vitoriosa experiência do médico de família.
Com 3% dessa grana, implantei 500 quilômetros de rede de esgotos nas comunidades, através do Projeto Mutirão, sem paternalismo, sem clientelismo e sem empreiteiras e sem propinas. O projeto, que chegou a ser realizado simultaneamente em mais de 300 comunidades, fornecia o material e remunerava diretamente equipes da própria comunidade, em número mínimo, realizando as intervenções sempre mediante prévia discussão com os moradores.
Havia total transparência e uma consciência de que a implantação do saneamento básico pelas mãos dos próprios moradores, sem os preços superfaturados e sempre acrescidos pelas empreiteiras, era uma ação que, além de tudo, reduzia a pressão sobre os hospitais públicos.
Na nossa concepção, o limite do poder público, que tem de estar presente até como resgate social, é a implantação de serviços públicos, nunca a oferta graciosa de bens pessoais ou de família.
Não tem sentido fazer casas para ninguém. Para mim, que cheguei sozinho do Ceará com 16 anos, ninguém nunca me deu casa. E se você quiser saber, o que o trabalhador da periferia quer é meio para construir sua casa com dignidade. Porque se for dar casa quem vive na pior, tem que dar para todos. Aí teremos que construir 10 milhões de moradias com o dinheiro do contribuinte. Voltarei ao assunto.

Coluna@pedroporfirio.com







( e-mail enviado aos Senadores e alguns deputados)
 
Subject: Fw: CONGRESSO E NAÇÃO ENXOVALHADOS

 
           Idéias  e  Debates  para  a  Cidadania   -  Edição  106 / 08
 
Repassando  uma   lúcida  mensagem  do  amigo Wagner Paulino,  ao  Presidente  do Congresso  Nacional
 
 
                                     Márcio Dayrell Batitucci
 
 
Sent: Wednesday, March 12, 2008 2:27 AM
Subject: CONGRESSO E NAÇÃO ENXOVALHADOS

Senhor Senador Garibaldi Alves,

 

Ás 23:30 horas de ontem, terça-feira, dia 11 de março, comecei a assistir à transmissão da TV Senado, durante sessão plenária dessa casa, que avançava noite a dentro.

 

Como cidadão brasileiro, senti vergonha e revolta, diria mais: asco!...

 

"Nunca antes na história desse País", como costuma propalar aos quatro ventos o Chefe do Executivo, uma sessão do Senado Federal foi tão desrespeitosa e tão fragilizada pelas manobras espúrias e antiéticas do Líder do Governo, o senhor Romero Jucá.

 

Não ouvi a referência que ele teria feito aos senadores da Oposição, chamando-os, pelo que disse um dos senadores que usaram da tribuna, de "Juvenais Antena", numa afronta que, ao meu ver, deveria levar à caracterização de "falta de decoro" parlamentar.

 

No entanto, o que mais me surpreendeu é que, no encaminhamento de votação de uma medida provisória que estava trancando a pauta, esse "líder do governo", instado a ler o seu relatório para abertura da discussão da matéria que seria votada, numa manifestação que não pode ser outra que não de deboche, em poucas palavras e falando com inusitada rapidez, informou que a matéria teria perdido as características de uma MP, ou seja, urgência e relevância.

 

Queria, com essa manobra espúria, mas que mostra a sujidade do jogo de poder, permitir que fosse votada outra ou outras MP´s de interesse do Governo, mas talvez não do Povo Brasileiro.

 

Escárnio ao Povo, escárnio aos demais membros do Parlamento, numa demonstração inequívoca de falta da qualificação mínima para ser parlamentar, ainda mais, para liderar a bancada do governo.

 

Estamos assistindo, perplexos ao tudo vale e à desenfreada ocupação de cargos em troca de favores e, como bem disse o senador Sérgio Guerra, nem mesmo a Petrobrás está sendo preservada desse escambo.

 

Era 01:00 hora, quando os líderes dos Partidos de Oposição se rebelaram no sentido de não validar a palhaçada em curso e se manifestaram no sentido de que todos os senadores do PSDB e DEM se retirassem do Senado, ficando com o Governo com o ônus dessa vergonhosa aprovação de medidas provisórias sem debate.

 

O senhor, em seguida, proferiu sábias palavras e eliminou uma impressão pessoal minha, de que não teria o necessário posicionamento como Presidente do Congresso Nacional. Embora eu, leigo e envolvido com a barbárie que se instalou, considerasse que a sessão deveria ser encerrada, ela continuou por volta da 01:40 horas e eu decidi desligar a TV, pois o contraditório, base para qualquer decisão, não poderia mais ser realizada.

 

Antes, no entanto, durante seu longo discurso sobre o papel do Senado e sobre a sua conduta pessoal que, para mim, foi uma grata surpresa, pelas suas colocações e firmeza, algumas frases, das quais tomei nota, merecem ser aqui reproduzidas:

 

"Esse não foi o Senado que eu sonhei em presidir"

 

"O Governo tem exorbitado, o Governo tem violentado o Congresso, concorrendo para a queda de nossas instituições".

 

"O meu compromisso não é ajudar o Governo. O meu compromisso é ajudar a Nação".

 

Me pergunto: Como será o "Day After?" Como ficarão as relações, já fragilizadas por acontecimentos anteriores? São questões que precisarão ser respondidas e tratadas.

 

Os dias de ontem e hoje foram, certamente, dos mais tristes e vergonhosos da História do Congresso Nacional e, certamente, o senhor Romero Jucá foi um de seus artífices.

 

Não há como confiar em acordos com esse líder, ou talvez até com outros líderes que vierem a ser escolhidos pelo Governo, pois, a exemplo do que foi acordado por ocasião da votação da MP de desvinculação de verbas, com a promessa de que não haveria aumento de impostos para compensação da perda do CPMF, dias depois ocorreu a traição.

 

Como cidadão, espero que esse evento seja um Divisor de Águas e qual Fênix, o Senado ressurja das cinzas, caso contrário, o que estará em jogo, mais do que a descrença no Parlamento, será a própria Democracia.

 

Que o Criador o inspire, para que dias melhores sejam reservados ao Congresso e que a vergonha do dia de hoje, para os que sabem o que isso significa, mostrem à Nação que terão condições de serem os legítimos defensores do Povo, pois "TODO PODER EMANA DO POVO E EM SEU NOME SERÁ EXERCIDO".

 

Apenas um cidadão brasileiro,

 

Wagner Paulino

 

Título de Eleitor Nº1180 4881 0230

Zona: 034 Seção:0124 - MG





A encruzilhada da América Latina
 
O que estamos assistindo na America Latina é uma comédia de erros que não terminará bem. Esta foi apenas uma crise, outras virão.

Por que o governo da Venezuela reatou relações com a Colômbia depois de ter expulsado o embaixador colombiano alegando   “defesa da soberania, da pátria e da dignidade do povo venezuelano”. quando a Venezuela siquer havia sido convidada para o baile?

Não existem anjos nesta história.

Embora o pior de todos seja o Chaves, e Rafael Correa o seu bonequinho, Álvaro Uribe e a Colômbia não são  esta maravilha toda.

Segundo noticia a BBC Brasil "No Grupo do Rio, Chávez assumiu o papel de conciliador na crise entre Equador, Colômbia e Venezuela, chamando à “paz na América Latina” e amenizando a tensão que marcou uma crise sem precedentes na região andina.
O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, disse no sábado que a intervenção de Chávez durante a reunião foi decisiva para solucionar a crise.
"Na verdade (Chávez) me surpreendeu gratamente. A intervenção (na reunião) do presidente Chávez foi muito importante, porque o tom que ele aplicou foi muito distinto (do usado antes). Foi um tom reflexivo, conciliador, que era uma coisa necessária e fundamental neste momento", disse Insulza ao jornal chileno El Mercurio."

E ninguém estranha nada?

Na  Bolívia e Peru além do uso de mastigar folhas de coca, fabricam o mate de coca, e outros produtos  contendo  alcalóides da coca destinados  ao consumo interno e à exportação. A plantação nestes dois países  tem usos tradicionais e medicinais sendo  permitida  sua plantação e distribuição dentro das margens que estabelecem as leis nacionais.

A Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife) pediu aos Governos de Bolívia e Peru que adotassem medidas abolir os usos da folha de coca que sejam contrários à Convenção de 1961, incluindo a prática de mastigá-la". A resposta do  vice-chanceler boliviano, Hugo Fernández, foi que esse pedido é fruto da "ignorância" e de "a mentalidade arcaica" da Jife, já que "sua concepção é anacrônica, obsoleta e não é científica". Apela ainda para o discurso que isto é  "uma revalorização da folha de coca pela revalorização das culturas indígenas", para assegurar que é "uma prática que não será eliminada".
Não pode ser ignorado o fato do Presidente da Bolívia Evo Morales  ter começado a sua carreira política como líder dos plantadores de coca. Tomou posse com a promessa impossível  de ser cumprida "Legalizar a plantação de coca e criminalizar a produção de cocaína".
Portanto na Bolívia a coca é importante para a economia do país.

Em 30/07/2007 na Agencia EFE:
A produção anual de cocaína na Colômbia é de 776 toneladas, número muito acima dos previstos nos cálculos das autoridades locais e dos Estados Unidos, segundo estudo governamental divulgado hoje pela revista colombiana "Cambio".
Segundo dados atuais, disponíveis na Internet o cultivo de coca na Colômbia caiu 9%, mas aumentou 8% na Bolívia e 7% no Peru.

O Brasil além de grande consumidor, serve de passagem para a  cocaína colombiana e boliviana destinada aos principais mercados consumidores.

E chegamos finalmente ao "X" da questão: Os grupos chamados "terroristas". Existe na Colômbia além das FARCs (com maior visibilidade) , o ELN - Exército de Libertação Nacional  - também acusado de manter ligações com os traficantes de droga.  Protegem as áreas de plantação e os laboratório onde se produz a cocaína. Conforme relatos feitos por jornalistas independentes, este hoje tem como único objetivo o enriquecimento dos seus membros. Também sequestram mas estranhamente não se ouve falar deles. Calcula-se que, só da aplicação dos «impostos revolucionários», a ELN retire um rendimento anual de 750 milhões de dólares.
Há divergências. Em alguns países são considerado  "terroristas"? Não são terroristas - são bandidos perigosos que ameaçam a segurança de toda a América Latina. Chega-se ao absurdo de propor que eles se transformem em partido político.
 
Ou os países se unem, fecham questão, sem qualquer exceção, no sentido de usar todas as armas legais para acabar com o narcotráfico ou de crise em crise chegaremos a uma guerra. Não adianta apreender drogas esporadicamente. Se uma remessa é apreendida quantas passaram?
 
É necessário medidas urgentes e coordenadas. E parar de tratar o usuário como o "pobre" coitado - ele não é!  Os milionários que não ficam sem a sua "cheiradinha" nas festas, de coitadinhos não tem nada.  Sequestrem as contas bancárias dos narco-traficantes - usem o dinheiro deles nos programas sociais do governo, ou quem sabe para construir mais presídios de segurança máxima , façam leis mais duras, inclusive cobrando da OAB que pare de agasalhar em baixo da asa os advogados bandidos.  Asfixiem eles com o confisco dos seus bens, pois sem dinheiro não conseguirão adquirir a droga. Ou então meus amigos perderemos a batalha para sempre.





Recebido por e-mail

Meus amigos
Além de criativo é simplesmente sensacional pela engenhosidade.
Rogerio

 Que me perdoe o poeta que tudo viu,
se vos parodio inspirando-me naquele que nada sabe,
nada escuta, nada lê e nada vê!

"passeio pelo mundo em nau a jato,
de sorte que a justiça não me alcance,
como posso saber, se sou errante,
metamorfose ambulante?"

(Lúcio Wandeck)
 
OS LULASÍADAS

Os votos e os ladrões assinalados
Que do nordeste agreste lulistano
Por artifícios  nunca d'antes perpetrados
Passaram inda além das maracutaias,
Sem perigos e guerras esforçados
De quem vive na política gandaia
E da gente humilde afanaram
A grana com que tanto enricaram;
E também as memórias ingloriosas
Daqueles sem terra que foram se apossando
Com engodo e fraude das terras produtivas
Que do norte ao sul andaram invadindo,
E aqueles que por obras viciosas
Se vão da lei sempre se lixando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Cassem do vernáculo e da gramática
Os erros nos discursos que fizeram;
Cale-se de Machado e de Queirós
Os textos sublimes que escreveram;
Que eu canto o peito ilustre Lulistano,
A quem as Martas e Matildes obedeceram.
Cesse tudo o que o PT antigo canta,
Que outro PT apequenado se abrilhanta.

Deste ócio parlamentar sem mais temores,
Alcança os que são de fama amigos
Trezentos picaretas e graus maiores;
Encostando-se sempre nos antigos
Companheiros de cachaça e assessores;
Foram anos dourados, entre os finos
Lençóis de fio egípcio, puros linhos;

Se esta gente que busca Ministério.
Cuja valia e obras tanto acusaste,
Não queres que padeçam vitupério,
Como há já tanto tempo que ordenaste,
E ouças mais, pois não és juiz direito,
Dar  razões a quem sucede que é suspeito.

Passando ao largo o vento acalma
Mas não duraria muito a calmaria
Eis que um falso amigo denuncia
Que um senhor falto de cabelos
Traz malas cheias de alegria
Mês a mês, com acertada pontaria,
Pontualidade de antemão agradecida
Pelos súditos que dançavam a quadrilha.

Entre gentes tão fiéis e tão medrosas,
Mostra quanto pode; e com razão,
É tão fácil entre ovelhas ser leão.
Sabe bem o que o Dirceu arquitetou,
E de tudo o que viu com olho atento,
Negou e negando assim ficou,
Até mesmo quando outro companheiro
Num hotel foi pego com dinheiro.
São uns aloprados, explicou.
Mas, com risonho e ledo fingimento,
Tratá-los duramente determina,
Pois assim engana o povo, imagina.

Mas não lhe sucedeu como cuidava.
Eis que aparecem logo em companhia
Uns comparsas que freqüentavam aquela
mansão, que de bordel em nada parecia.

Corrupto já lhe chamam os inimigos,
Danoso e mau ao fraco corpo humano
E, além disso, nenhum contentamento,
Que sequer da esperança fosse engano.

Mas enxerga-se, num e noutro bando,
Partido desigual e dissonante
São muitos contra muitos; quando a gente
Começa a alvoroçar-se totalmente
«Viram todos o rosto aonde havia
a causa principal do reboliço:
entra em cena um caseiro, que trazia
o testemunho sincero do serviço
que as damas ali prestavam
para tão seleta companhia,
e onde fortunas repartiam..
Não perguntava, mas sabia
As alegres badaladas que ali via.

É um suceder de ventos malcheirosos.
Denuncia a imprensa dos maldosos
que o divino comandava um corpore ativo
não explicando à roda solta a gastança
com uns cartões em prol da segurança
da coroa e do cetro lu-lalante.
São rubis, esmeraldas, diamantes,
em luzentes assentos bem cuidados,
estofados à conta do erário.
Outros serviçais todos assentados
na Ordem e no Progresso concertavam
desculpas para os tucanos que acusavam
fazendo coro com os democratas que gritavam.
(Precedem os antigos, mais honrados,
Mais abaixo os menores se assentavam);
Quando o divino alto, assim dizendo,
com tom de voz começa grave e horrendo:
- «Eternos moradores do luzente,
Estelífero Pólo e claro Assento:
sou o grande valor pros crédulos e inocentes,
de mim não perdeis o pensamento,
deveis de ter sabido claramente
como é dos fatos grandes certo intento
que por ela se esqueçam os humanos
Genoinos, Delúbios, Gregos e Romanos"

Mas em particular o esperto mui sabia,
que mentir o faz mais elegante,
Vereis como sorria e escarnecia,
Quando das artes bélicas, diante
Dele, com larga voz tratava e mentia.
Para a disciplina militar ali prestante:
"-não se aprende, senhores, na fantasia,
sonhando, imaginando ou estudando,
senão vendo, cupinchando e armando"..
Mas eis que fala falso, mas alto e rude,
da boca dos pequenos sabia, contudo,
que o louvor sai às vezes acabado.
"Tem-me falta na vida honesto estudo,
com longa malandragem misturado,
E engenho, que aqui vereis presente,
cousas que juntas se acham raramente".

"Para servir-vos, braço às armas feito,
Para cantar-vos, minto às Musas dada;
Só me falece ser a vós aceito,
De quem virtude deve ser prezada".

"Se isto o Céu concede, e o vosso peito
Oh dígna empresa, dígno empreiteiro,
com a ladroagem mente e vaticina
olhando a sua substituta assaz divina,
a má, a ladra, a serpentuosa Medusa,
agora a seu lado, na falsidade inclusa":
"faça vista grossa para temas nauseantes".
"Falaram-lhe até que uma tal de Hipotenuza
e sua amiga uma tal de Geometria
acusam-no de comportamento ultrajante"!
 
"Não as conheço, nunca ouvi falar,
como saber e conhecer não é meu forte,
dos amigos acuados não me afasto, me aproximo,
somos vinhos da mesma pipa, e subestimo,
aqueles que intentam me acusar.
O tempo passa, tudo há de se abafar!"

"Com a minha estimada e leda Musa
que me inspira o engodo e a farra plena,
apanágio do malandro e do farsante,
passeio pelo mundo em nau a jato,
de sorte que a justiça não me alcance,
como posso saber, se sou errante,
metamorfose ambulante?"







Idéias  e  Debates  para  a  Cidadania  -  Edição  283

 
 
Repassando,  para  seu  conhecimento,  o  texto  abaixo  do  atuário  Clóvis L. Marcolin . . .
 
 
      Márcio Dayrell Batitucci
 
 
----- Original Message -----
FromSubject: Receita e Remédios errados para uma crise financeira global-V

Prezado,

 

Cá estou a ouvir nosso Ministro da Fazenda admitir que a CRISE FINANCEIRA GLOBAL será grave e de longa duração.  Isso sempre foi de consenso para todos que, não sendo autoridade pública, podiam falar dessa crise sem compromissos com a disseminação do pânico ao público. Mas as autoridades governamentais brasileiras têm, historicamente, o cacoete da mentira, e nem com a verdade batendo à porta a chamam pelo nome, preferem, amenizar as dificuldades até não mais poder.

 

De qualquer forma, tanto o diagnóstico, quanto na profilaxia nosso governo segue a receita dos países centrais, ou seja, continuamos sendo o rabo do cachorro num momento que poderíamos ser a cabeça, ou mesmo que fosse a mandíbula. Seguimos como todos ordenadamente para o matadouro, tal qual as milhões de cabeças de gado que matamos diariamente.

 

Efeito manada diriam os economistas, se todos seguirem a mesma receita é provável que todos pereçamos, ou que todos nos salvemos? NÃO! O remédio pode ajudar alguns e não fazer igual efeito noutros.

 

No caso brasileiro tanto no diagnóstico quanto nas ações de governo, da economia virtual, e da economia real, discordo profundamente da idéia de, a qualquer custo, retomarmos o caminho do mercado, um caminho do qual o próprio mercado se afastou e que por anos propugnou que dele não fizesse parte a autoridade governamental enquanto mediadora e reguladora das relações econômicas entre o indivíduos, as empresas, e o próprio Estado. Não queriam o governo, queriam liberdade, uma liberdade que só serviu para que o mercado se enforcasse com a própria corda. Agora, na dificuldade apelam para o governo para que as autoridades enxotadas e desrespeitadas pelos representantes do tal falido mercado venham a socorrer os fracassados com dinheiro dos tributos arrecadados, principalmente, a partir das rendas, ou melhor, dos salários dos trabalhadores.

 

Socorrer bancos, segurar o preço do dólar, adquirir empreendimentos e empresas imobiliárias, de previdência privada, seguradoras, e outras participantes desse mesmo mercado definido como financeiro, ou diretamente a ele vinculado, não é e não haverá de ajudar a equacionar os efeitos dramáticos que a crise global haverá de deixar como marca em sua passagem pelo Brasil.

 

Se 350 bilhões de dólares estrangeiros circulam no mercado acionário brasileiro e o país detém, ou detinha cerca de 208 bilhões de dólares em reservas, a pergunta que fica é: de onde o país haverá de retirar os 142 bilhões de dólares se todos os investidores estrangeiros resolverem deixar o Brasil?

 

Uma primeira solução monetária estaria em deixar o dólar se valorizar, em função da velocidade de saída dos capitais do país. Bem, isso significa dizer que o investidor estrangeiro estaria perdendo dinheiro por vender suas ações em Bolsa na baixa, dada a continuada desvalorização nesse cassino, e haveria de perder também na conversão dos reais em dólar se o Banco Central deixasse a moeda americana flutuar, livremente. Entretanto, a intervenção do BACEN para segurar o valor do dólar, mesmo com a demanda aquecida, só se presta para garantir o lucro do especulador estrangeiro que está saindo do país, pois quanto menor o preço do dólar na conversão com o real, mais dólares levarão para seus países de origem. ENTÃO FICA PROVADO QUE O BACEN NÃO ESTÁ DEFENDENDO A MOEDA NACIONAL, OU PRATICANDO UMA POLÍTICA CAMBIAL EM FAVOR DO BRASIL, MAS ATUANDO FORTEMENTE, COM A QUEIMA DE NOSSAS RESERVAS PARA GARANTIR O LUCRO DO INVESTIDOR ESTRANGEIRO QUE ESTÁ DEIXANDO O PAÍS, QUER DIZER ESTÁ TRABALHANDO PARA O SISTEMA FINANCEIRO INTERNACIONAL, E NÃO PARA O BRASIL. E, LULA não o demite. Por quê?

 

Uma segunda solução, nacionalista porque seria adotada como instrumento monetário para preservação das reservas cambiais do país estaria relacionada com a aplicação de uma regra limitando a liberação de dólares para saídas de capitais do país, segundo o interesse do fluxo cambial nacional, ou mesmo pela utilização de penalidade de acordo com o tempo de aplicação no mercado nacional. E, é claro com o dólar flutuando livremente, não é hora de segurar a variação do dólar.

 

A turbulência financeira está afetando, e irá desorganizar muitos mercados reais, uma vez que toda economia, seja real ou virtual, serão afetadas pela redução da atividade econômica global, principalmente nos EEUU e Europa, a partir da Ásia, em particular a partir da CHINA, Coréia, Japão, e demais tigres.

 

Menor o crédito, a demanda que estava inflada pela bolha financeira virtual, também será reduzida, logo a produção real será menor e todos haverão de sentir a redução do número de consumidores.

 

A solução comum parece que está centrada na RECUPERAÇÃO de um status mercadológico que implodiu logo inverossímil, inexistente, daí que não há como tal idéia prosperar por mais dinheiro que seja injetado nas falidas empresas que por falta de mercado sucumbirão, ou nos bancos que não tem capacidade de operar no mercado real, já que sobreviveram a partir e de um mercado virtual que não mais existe. Dar-lhe dinheiro, é queimar riqueza monetária.

 

Tudo indica que consumir riqueza acumulada no restabelecimento de uma situação parecida com a que existia antes da deflagração da crise financeira global parece de uma lógica perversa, de uma idiotice digna de um prêmio Nobel em economia. Talvez a psiquiatria pudesse ser chamada, nesse momento, para ajudar os economistas dos governos a aceitarem a perda que a crise global está impondo aos mercados virtuais, à economia dita real, embora alavancada pela mesma bolha da economia financeira global, daí não tão real quanto se insiste em dizer que o sejam.

 

Aceitar a nova condição, encolher para o verdadeiro tamanho, cada mercado, essa será uma tarefa difícil de ser proposta por economistas, por isso, a sugestão de que se assessorem dos conhecimentos da psiquiatria.

 

A riqueza de um país só vem da terra, ou a partir da terra, o resto é virtual e decorrente do efeito multiplicador, hoje conhecido mundialmente, como derivativos, ou seja, moeda criada a partir de ativos reais.

 

O equívoco, a meu ver, está na busca de um caminho que já se revelou catastrófico para a humanidade, ninguém, creio, exceto eu, está propondo caminho alternativo ao capitalismo de mercado e ao estimulo ao consumismo a qualquer preço, mesmo todos sabendo que o consumismo é uma corrente que quando interrompida deixa pelo caminho desastres do tamanho desse que estamos começando a descobrir, e que segundo o ministro da fazenda brasileiro deverá se instalar por aqui por muitos anos. E, assim, o será se, sem alternativas, nossos economistas insistirem em retomar um caminho que se revelou inviável.

 

Por certo a alternativa mais recomendável não é a restauração do capitalismo financeiro, e dos mercados consumidores tradicionais, mas desenvolver a semente, que semana passada pensei que o Brasil estava propenso a desenvolver junto com os demais países latino-americanos, mas tudo indica que o encontro não serviu para não além da difusão da receita global que está centrada na salvação dos sistemas financeiros, mais do que na reorganização de nossa economia regional a partir de um pacto de solidariedade e criação de relações de comércio e ajuda mútua produzidas a partir de uma moeda local, numa iniciativa de abandonar o dólar e o euro como parâmetros de conversibilidade.

 

O mútuo econômico entre os países da América Latina haveria de se constituir no nascedouro de uma solução integradora única, jamais admissível pelas grandes potências em situações de pleno poder econômico que detinham antes do aflorar da atual crise financeira, ou melhor, econômica, global.

 

De qualquer forma o processo, tudo indica, não seguirá, e o que temos é o nosso habitual comportamento obediente, e submisso, em relação às potências militares do norte.

 

Não creio que o Brasil, a partir de nosso atual governo, possa efetivamente despertar de seu berço esplêndido e construir um novo sistema econômico, primeiro porque temos economistas medíocres no setor público, e os intelectualmente mais deficientes são os que mais próximos estão de Lula, cuja inteligência política não avança na economia dada suas deficiências, ou mesmo preguiça, em agir e pensar o país, seu futuro e a oportunidade que tem de se firmar como um verdadeiro estadista nesse momento de profunda crise global.

 

Por certo, não seria no Brasil que haveria de nascer um novo sistema econômico, os países europeus, não admitiriam, e os usamericanos, com seus nobéis prêmios, efusivos pensadores, de tudo fariam para roubar-nos a paternidade, tal qual fizeram com o invento de Santos Dumont.

 

Enfim, se nem a Amazônia haverá de ser nossa, o pré-sal vai nos ser tomado pela quarta frota, porque nos seria permitido seguir autonomamente nosso caminho ruma a uma nova economia?

 

Mas não se preocupem que não afundaremos sozinhos, porque seguimos a mesma receita que todos estão tomando, se ela vai nos matar, não tem problema, o importante é que recebemos o mesmo diagnóstico e o mesmo remédio, embora nossa doença, provavelmente não seja a mesma. Mas o remédio é de rico, e a doença diagnosticada também é de rico, e isso já nos conforta. Se eles tiveram pneumonia e estão tomando remédio para pneumonia, nós que talvez tenhamos só uma grupe estaremos tomando também remédio para pneumonia, o que é um alívio porque se um dia tivermos pneumonia já estaremos medicados, ou não.

 

Temos que fazer de tudo para pegarmos a mesma pneumonia que adoeceu os ricos porque o remédio que receberemos é o mesmo.

 

Essa é a alternativa que nosso governo escolheu: tomar o mesmo remédio que todos estão tomando, mesmo que a doença que temos não seja a mesma. E recebe aplausos por embarcar na mesma canoa-furada, afinal os poderosos admitiriam que fossemos os únicos a nos salvar?

 

Lembremos que a unanimidade é burra, a democracia enquanto valoriza a quantidade, e não a qualidade, também o é, embora seja o único sistema político aceitável para os que detém o poder de influir, pela manipulação, nas decisões dos mantidos na ignorância formal e política.

 

Por isso, por estarem a serviço das minorias, ou elites, dominantes e manipuladores das massas e de seus votos, nenhum de nossos médicos-economistas, ou jornalistas econômicos midiáticos levantará a voz, não ousarão ser dissonantes.

 

Bem, talvez porque esses assalariados do capital tenham pouco compromisso com a pesquisa e a produção do conhecimento, ou mesmo por já estarem roucos de tanto defender e pregar nossa submissão aos interesses internacionais, em detrimento dos nossos próprios.

 

Um abraço.

 

Marcolin





Face à tentativa de ocupação de grande parte do Estado de Mato Grosso do Sul, como já está sendo feito em Roraima, torna-se imperativo estudar um pouco o assunto, para compreender o porquê de estarmos perdendo o nosso espaço para as populações indígenas.  Por que um país tão grande está sendo levado a esta luta absurda de classes opondo  irmãos? Seria a tentativa de dividir para dominar. Vou dividir em partes o trabalho até para que eu mesma entenda. O enorme território de "dimensões continentais" segundo o velho chavão não cabe todos? Seremos exilados? Para onde?

Após um breve resumo da população indígena, sua dominação pelo homem “civilizado” que os está manipulando para tirar dividendos, veremos o que faz, quem  gerencia e o passado recheiado de escândalosa da  poderosa  FUNAI,  que de maneira absurda resolveu que doravante serão índios para lá, brancos para cá. O interessante é que as maiores reservas minerais estão justamente nas terras indígenas onde se acotovelam 100.000, isto mesmo CEM MIL,  ONGs preocupadas(?) com o indefeso homem indígena. Comovedor isto. Creio que, a exemplo dos menores em situação de rua, existe uma ONG para cada índio!

Cida Fraga


- Uma Ong - Um índio!
 
Existem no Brasil inteiro 750 mil índios para 100 mil ONGs resultando numa média de 7,5 índio por entidade. (Não sei como fazem para tomar conta de 0.5 de índio, mas deixa pra lá, deve ser uma criancinha!).
Considerando que boa parte dos nossos índios, (os que  vestem  Adidas, usam celular e câmara digital, alguns com  camionete Land Rover e notebook) já caíram  fora da Amazônia, o número de índios por ONG cai e chega ser menor do que o número de organizações não-governamentais. Se cada uma pegasse a grana que recebe das mais diversas entidades para, de fato, cuidar da nossa brava gente, dava para hospedar todos os índios em hotel *****...

Diante de quase 700 pessoas  reunidas no Clube Esperia em junho, na cidade de São Paulo, que o aplaudiram de pé, o general da reserva , ex-comandante militar da Amazônia, Luiz Gonzaga Lessa disse que aumentam a cada ano as pressões pela internacionalização da Amazônia e alertou que "a invasão branca" da região já começou, por meio das ações de organizações não-governamentais (ONGs).

Afirmou ainda que as terras indígenas na fronteira norte do País constituem a ponta de lança para que a região seja desmembrada do País, ou, conforme sua expressão, "são o germe da secessão". E explicou: "Hoje elas pertencem ao Estado brasileiro, mas há uma trama internacional para que se tornem nações indígenas e depois deixem de ser propriedade do Estado."
 
Percebe-se claramente a intenção oculta por trás: Independentes, sem saber como sobreviver já que lhes tiraram a capacidade de planejar e elaborar a sua sobrevivência com a tutela que lhes foi imposta, seriam presa fácil, e como aconteceu no País ao longo dos séculos, em curto espaço de tempo a fortuna teria mudado de mãos. No caso específico da Reserva Raposa do Sol, desnecessário repetir a riqueza existente naquelas terras.
Vejam no quadro abaixo, segundo o próprio site do CIR(Conselho Indigenista de Roraima) quem são seus "parceiros":


Comovente  a preocupação destas organizações com os nossos "pobres indios".
Algumas:
A Oxfan, no Brasil desde 1958,  é especializada em planejamento familiar. Se envolveu numa polêmica há anos por patrocinar esterilização de mulheres no Norte/Nordeste.
 
A Rainforest Foundation foi criada no início dos anos 90 para levantar o dinheiro necessário à  delimitação das terras indígenas pois a alegação do governo era a falta de recursos. Surgiu da amizade entre Sting e o índio Raoni, um caiapó que viajou o mundo em busca de ajuda. Foi a primeira organização independente a "ajudar" o Brasil nesse sentido.
 
CAFOD: O trabalho do CAFOD se baseia na parceria entre comunidades no Terceiro Mundo e pessoas na Inglaterra e no país de Gales.
 
No site do Claudio Humberto:
 

'Índios da Raposa do Sol pedem 'direito à terra' no Parlamento britânico

Patrocinados pela Igreja e pela Agência Católica para o Desenvolvimento (Cafod, em inglês), os índios Jacir de Souza e Pierângela da Cunha, das tribos Macuxi e Wapixana, da Reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, estão no Parlamento britânico, em Londres, pedindo ajuda para "salvar sua terra, a Amazônia". Diz a Agência Católica Independente que "um grupo de poderosos fazendeiros, que ocupam grande parte da área (dos índios) se recusa a deixar a área, apoiados pelo governo de Roraima". A Cafod, fundada por bispos da Inglaterra e do País de Gales, é parceira do Conselho Indigenista de Roraima. A representante para a América Latina, Clare Dixon, afirmou que "trabalhamos juntos para mostrar ao governo britânico que devemos nos preocupar com o que acontece do outro lado do mundo". A próxima etapa do tour europeu dos representantes indígenas deverá ser um encontro com o Papa'."

 

Norad - A Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento, ou Norad, é um directorado sob a alçada do Ministério de Negócios Estrangeiros. Em 2004, a administração norueguesa para o desenvolvimento foi reorganizada e a responsabilidade pela cooperação a longo prazo entre governos estabelecida com países em vias de desenvolvimento foi transferida da Norad para o Ministério a partir de 1 de Abril de 2004. A Norad continuará a ser um dos principais centros para o desenvolvimento e fornecimento de trabalho especializado, ajudando a garantir a administração eficaz da ajuda para o desenvolvimento, incluindo a garantia de avaliação e de qualidade. A Norad também irá cooperar de forma estreita com outros peritos nacionais e internacionais. Irá fornecer aconselhamento especializado sobre a implementação do livro branco do governo sobre política para o desenvolvimento, Lutar Juntos contra a Pobreza, e sobre o modo como a Noruega pode contribuir para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

A Norad canaliza fundos substanciais através de organizações não governamentais norueguesas, que são parceiros importantes na cooperação para o desenvolvimento da Noruega. Coopera também de modo estreito com empresas, sindicatos, instituições de investigação e outras organizações norueguesas da sociedade civil.
A organização da Norad divide-se numa série de departamentos, cada um dos quais trata de uma área de especialização em particular: o Departamento para o Ambiente e para o Desenvolvimento do Sector Privado, o Departamento de Direitos, Agentes de Mudança e da Sociedade Civil, o Departamento de Desenvolvimento Humano e Prestação de Serviços, o Departamento de Governação e Macroeconomia, e departamentos para a garantia de qualidade, avaliação, informação e administração. (Entenderam alguma coisa? Nem eu!)




ARTIGOS


AS CÉLULAS DA INTOLERÂNCIA

MINHA COLUNA NO JORNAL POVO DO RIO DE 11 DE MARÇO DE 2008



A Igreja Católica Apostólica e Romana sempre exerceu forte poder de influência sobre os assuntos de governo, que não são de sua competência, porque o Brasil é um país laico desde a Proclamação da República.
Enquanto investe contra outros segmentos do cristianismo, que crescem a olhos vistos, acusando-os de interferir na política, é ela quem realmente ainda tem sido implacável na sustentação de seus dogmas, que não podem se confundir com as leis do país.
Como o Brasil ainda é um país majoritariamente católico, e como os católicos estão nos centros dos poderes, ela cobra fidelidade dogmática dos seus fiéis, como uma boa dose de intolerância.
Uma intolerância que, infelizmente, ninguém tem coragem de denunciar, até porque ela costuma ser implacável com os que não seguem suas determinações.
O que está acontecendo com esse veto religioso às pesquisas com células embrionárias remonta os tempos obscurantistas da inquisição, em que os "hereges" eram queimados na fogueira.
Qualquer um sabe que se não forem usadas para a cura de milhares de pessoas, essas células embrionárias não terão nenhuma utilidade. Dizer que elas já representam vida é o fim da picada, é forçar a barra mais da conta.
Mas a Igreja Católica Apostólica e Romana, que perde terreno diariamente para denominações evangélicas, quer por que quer que os assuntos de saúde pública desprezem o imenso potencial que a ciência oferece. Quer porque, ao longo de sua história, essa igreja comandada pelo Estado do Vaticano, nunca assimilou os avanços da ciência, mesmo quando eles representam, como no caso das células embrionárias, a possibilidade de fazer milhares de deficientes físicos andarem, de encontrar uma cura para doenças tão graves como a diabete.
Foi por ser católico fervoroso que um ilustre procurador geral da República argüiu a inconstitucionalidade de uma Lei sancionada em 2005. E foi pela mesma razão que um ministro do Supremo interrompeu a votação da matéria na sua corte, conseguindo protelar uma decisão definitiva da Justiça, mesmo que isso tenha frustrado tantos cristãos, que sonham viver com saúde, como qualquer filho de Deus.
Quando se trata de investir contra igrejas que lhe fazem sombra, a cúria católica encontra sempre os piores defeitos e, ainda por cima, ganham fáceis multiplicadores.
Mas num episódio tão lamentável como esse, em que se pretende tratar salvação de vidas e curas de doenças com o olhar intransigente da religião, o que se vê é um silêncio sepulcral, como se fosse perigoso discordar do que o Papa não gosta.
É uma pena porque tal intolerância e tal terror um dia cairão em desuso, como aconteceu com tantos outros dogmas. Só que para alguns será tarde demais.

coluna@pedroporfirio.com

 
Em defesa da vida e contra a ditadura da religião
Repassada por Margarida Pressburger
Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ
margarida.pressburger@oabrj.org.br
O Supremo Tribunal Federal deve começar a tomar uma decisão sobre a continuidade das pesquisas sobre células-tronco embrionárias a partir de amanhã, atendendo a uma ação de inconstitucionalidade movida pelo ex-procurador geral da República, o católico Cláudio Fonteles, contra a Lei de Biossegurança. A atual legislação permite cientistas usarem embriões inviáveis ou congelados há mais de dois anos em pesquisas. Defendo essas pesquisas incondicionalmente. Não vou explicar o quanto são importantes, nem entrar no debate filosófico-teológico de quando a vida começa. Pouco importa. Um grupo de 100 células embrionárias não pode ter o mesmo valor de um ser humano nascido. Se for necessário utilizar essas células para que alguém volte a andar, ouvir e enxergar ou seja curado de uma doença degenerativa fatal, que se faça. Caso determinada religião seja contra, sem problema. Oriente seus fiéis a morrer sem utilizar o tratamento e curar-se na outra vida. O Estado brasileiro tem que desenvolver as pesquisas nesse campo para garantir uma opção médica futura aos milhões que não têm dinheiro para viajar ao exterior em busca de tratamentos de ponta quando um problema aparecer. E alguém duvida que muitos dos que são contra o uso de células-tronco não usariam terapias genéticas se descobrissem uma doença grave? É uma vergonha absoluta não darmos a devida atenção às milhares de mulheres que morrem todos os anos por conta de abortos clandestinos mal-feitos como alternativa à inexistência de uma política pública nesse sentido. Ou as pessoas que são obrigadas a passar por dores insuportáveis simplesmente porque não tem o direito de aliviar seu sofrimento dando fim à própria existência, uma vez que a vida não lhes pertence. Ou ainda, ver igrejas fazer campanhas contra o uso do preservativo porque acham que o sexo deveria ser controlado para a procriação. É extremamente salutar que todos os credos tenham liberdade de expressão e possam defender este ou aquele ponto de vista. Mas o Estado brasileiro, laico, não pode se basear em argumentos religiosos para tomar decisões de saúde pública. Já é um absurdo os prédios públicos, como o plenário do STF, ostentarem crucifixos, agir em prol deles seriam a derrota da razão. "É cultural", justificam alguns. O argumento é risível, o mesmo dado por fazendeiros que superexploram trabalhadores, defendendo uma cultura construída e excludente. Nesse caso, poderíamos considerar que vivemos em uma ditadura religiosa, pois uma democracia prevê o respeito pelas minorias. Não é uma questão religiosa, é científica. Mas não importa o que acreditamos, a qualidade de vida do meu semelhante é que importa. O resto é assunto para o Santo Ofício, que está em alta desde que Joseph Ratzinger assumiu o trono de Pedro. A humanidade já deveria ter evoluído para deixar as cruzadas de lado, mas os conservadores da igreja botam cada vez mais lenha na fogueira de sua guerra santa, em uma luta contra o ser humano.
Autor desconhecido




               A república ianomâmi
M. PIO CORREA

O`governo federal demarcou para os índios ianomâmis uma reserva com área de 94 mil quilômetros quadrados (o tamanho do estado de Santa Catarina). Esta reserva é povoada por cerca de cinco mil índios, transformados assim nos maiores latifundiários do Brasil.

Essa vasta reserva é prolongada por outra, em território venezuelano, as duas, somadas e fundidas em uma só, sem solução de continuidade, podendo formar um enclave entre os dois países, com foros de estado independente.

Isso, de fato, já está ocorrendo: passou-se a falar em nação ianomâmi. Já existe, mesmo, um governo ianomâmi "no exílio", funcionando no território de um país europeu, com um presidente da República Socialista Ianomâmi, americano, um vice-presidente alemão e um Parlamento de 18 membros, dos quais um único índio.

Essa "República Ianomâmi no exílio" recebe generoso apoio financeiro e moral, angariado por diversas organizações da vasta ninhada de ONGs, com o empenho de organizações religiosas também, de estranhas seitas, pastores de ovelhas negras (ou vermelhas), reverendos ecologistas pregando o catecismo da internacionalização da Amazônia.

Cabe recordar que, em recente conferência internacional realizada em Genebra sob os auspícios da ONU, foi debatido um Projeto de Declaração Universal dos Direitos Indígenas, na qual pretendeu-se inserir o princípio do direito à autodeterminação dos territórios indígenas - proposta vigorosamente combatida pelos representantes do Itamaraty. Com efeito, se concedido esse direito à autodeterminação, nos veríamos no Brasil a braços com um problema de gigantescas proporções.

É que as 35 maiores reservas indígenas demarcadas no Brasil somam 410 mil quilômetros quadrados, ou seja, uma extensão total maior que o estado de São Paulo ou o Rio Grande do Sul ou o Paraná. Tudo isso habitado por escassos 20 mil índios, o que equivale a dizer que a cada índio correspondem 20 quilômetros quadrados. Em vingando o princípio da autodeterminação dos territórios indígenas, o Brasil perderia sua soberania sobre essas vastas extensões de território.

A ameaça maior desenha-se do lado dos ianomâmis e de sua pretensa República Socialista, pois suas terras estendem-se por dois estados (Roraima e Amazonas) e vão prolongar-se além da fronteira venezuelana, criando um cômodo corredor para trânsito de mercadorias, pessoas e drogas, sem fiscalização aduaneira possível em nível adequado.

Felizmente, as Forças Armadas estão alertas e bem apetrechadas na área. As três Forças estão irmanadas no zelo pela preservação da soberania nacional na Amazônia. As Brigadas e Batalhões de Selva estão admiravelmente organizados, comandados e providos de meios para a execução de qualquer missão. Os navios fluviais da Marinha apóiam os deslocamentos de tropas e patrulham os rios. A FAB mantém na região 75 helicópteros de apoio à tropa terrestre, e todo um Grupo de Aviação.

Enquanto isso, os ianomâmis continuam opondo-se a que a importante estrada estratégica BR-320, parte do Projeto Calha Norte, atravesse as suas terras - que não são deles, mas do Brasil. Quando for tomada a decisão de levar avante a construção da estrada, os ianomâmis precisarão, para impedi-la, de uma pajelança que excede a competência de seus feiticeiros...

Aliás, para a solução pacífica e honrosa deste impasse, também as Forças Armadas seriam indicadas como negociadores naturais com os índios. Desde Rondon, o Exército possui larga experiência de contatos pacíficos com populações indígenas, baseados no respeito mútuo e em autêntica amizade. O presidente Theodore Roosevelt foi testemunha dessas cordiais relações entre militares e silvícolas, tão diferentes das sangrentas experiências americanas. A FAB vem, há mais de meio século, cultivando o convívio com os índios em Cachimbo. E a Marinha é a providência, não só dos civilizados, mas também das tribos ribeirinhas, às quais leva em abundância assistência médica excelente. Na hora das negociações, para o prosseguimento da BR-320, todos fumarão juntos o cachimbo da paz....

M. PIO CORREA é embaixador aposentado.

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                TERRORISMO NUNCA MAIS.







FALSIFICAÇÕES DA HISTÓRIA
Gustavo Corção
 
A história em todos os tempos tem mais nódoas do que brancuras, ou mais buracos do que queijo, como o suíço; mas pode-se dizer que a mais falsificada das histórias é justamente a dos anos em que o mundo dispõe do aparatoso instrumental de comunicações, com que tanto se empolgam hoje os religiosos.
 
Conhecemos melhor a história da Grécia de Péricles do que a história da última guerra mundial. Já dei vários exemplos. Trago hoje novos, e não serão certamente os últimos.
 
Para início de conversa devo confessar que caí no "conto" de Presses Universitaires de France e comprei sua Histoire Générale des Civilizations publicada sob a direção do sr. Maurice Crouzet que era na época, 1957, Inspecteur général de l'instruction publique; e é autor do último volume, que justamente versa sobre a história contemporânea. A coleção, composta de vários volumes, tem alguns razoavelmente bons, e até posso dizer que o volume do século XVI e XVII de Roland Mousnier é muito bom. Mas o volume escrito pelo próprio Maurice Crouzet é da mais deslavada e cínica inspiração comunista. Algué
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